Desenrola Brasil 2026 vai devolver acesso ao crédito a famílias endividadas, afirma secretária de Política Econômica
O Novo Desenrola Brasil já renegociou quase R$ 12 bilhões em dívidas e inclui novas regras para famílias, empresas e estudantes.
O governo federal ampliou o alcance do Novo Desenrola Brasil e transformou o programa em uma das principais apostas da equipe econômica para reduzir o endividamento das famílias brasileiras em 2026. A nova etapa permite descontos de até 90% em dívidas bancárias, amplia prazos de parcelamento e libera o uso de recursos do FGTS para renegociação de débitos.
Ao mesmo tempo, o pacote trouxe uma medida que provocou forte repercussão: quem aderir ao programa ficará impedido de acessar plataformas de apostas online autorizadas no Brasil durante um ano.
Segundo o Ministério da Fazenda, o objetivo é evitar que consumidores renegociem dívidas e continuem comprometendo renda em apostas digitais.
Programa já renegociou quase R$ 12 bilhões
Dados divulgados pelo governo apontam que o Novo Desenrola já renegociou aproximadamente R$ 12 bilhões desde o lançamento da nova fase do programa.
Mais de 1 milhão de pessoas foram alcançadas pelas negociações, somando cerca de 1,1 milhão de operações.
Parte dos acordos ocorreu com pagamento à vista. Nesse grupo, 449 mil dívidas tiveram abatimentos médios próximos de 85%.
| Dívidas quitadas à vista | 449 mil |
| Valor original | R$ 1,06 bilhão |
| Valor após descontos | R$ 154,2 milhões |
| Desconto médio | 85% |
No refinanciamento com garantia do Fundo Garantidor de Operações, outras 685,5 mil operações foram renegociadas.
Nesse grupo, o estoque original das dívidas somava cerca de R$ 9 bilhões e caiu para R$ 1,36 bilhão após os acordos firmados.
Quem pode participar do Novo Desenrola
O eixo principal do programa é voltado para famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos, equivalente a R$ 8.105.
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As dívidas precisam estar atrasadas entre 91 dias e dois anos e devem ter sido contratadas até 31 de janeiro de 2026.
Entram no programa débitos como:
- Cartão de crédito
- Cheque especial
- Crédito pessoal
- Crédito rotativo
- Financiamentos do Fies
O parcelamento poderá ocorrer em até 48 vezes, com parcelas mínimas de R$ 50 e prazo de até 35 dias para pagamento da primeira prestação.
FGTS poderá ser usado para reduzir dívida
Uma das principais novidades envolve a utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.
A partir de 26 de maio, trabalhadores poderão utilizar:
- Até 20% do saldo disponível do FGTS
- Ou até R$ 1 mil, prevalecendo o maior valor
A equipe econômica estima liberar até R$ 8,2 bilhões nessa modalidade.
O Ministério da Fazenda informou ainda que consultas para verificar valores disponíveis começaram em 25 de maio, enquanto as renegociações efetivas foram abertas no dia seguinte.
Governo bloqueia CPF em plataformas de apostas
A medida mais polêmica anunciada no Novo Desenrola envolve o bloqueio temporário do CPF dos participantes em casas de apostas online regulamentadas.
Segundo a secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire, estudos do governo identificaram relação entre endividamento e uso intenso dessas plataformas.
“Existe um vetor de endividamento relevante”, afirmou a secretária ao comentar o impacto das apostas digitais sobre famílias endividadas.
O bloqueio terá validade de um ano para quem aderir à renegociação.
Empresas e estudantes também entram no programa
O Novo Desenrola também ampliou linhas de crédito para micro e pequenas empresas.
No Pronampe, o limite de crédito saltou de R$ 250 mil para R$ 500 mil, com prazo de pagamento ampliado para até 96 meses e carência de até 24 meses.
Já o Procred passou a permitir crédito equivalente a até 50% do faturamento anual das empresas, podendo chegar a 60% em negócios liderados por mulheres.
O programa inclui ainda renegociação para contratos inadimplentes do Fies.
| Atraso entre 90 e 360 dias | Perdão de juros e multas |
| Atraso superior a 1 ano | Até 99% de desconto para inscritos no CadÚnico |
Até 19 de maio, mais de 34 mil contratos do Fies já haviam sido renegociados, reduzindo dívidas de R$ 2,04 bilhões para R$ 410,2 milhões após os descontos.
O Ministério da Fazenda informou ainda que uma nova versão do programa voltada para consumidores adimplentes, pessoas sem dívidas em atraso, está em desenvolvimento e deve ser anunciada nos próximos meses.
Foto de capa: © Marcello Casal Jr / Agência Brasil.
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