Mergulhador experiente morreu em segundos nas Maldivas em operação de busca por quatro italianos desaparecidos
Sargento morreu durante operação submarina nas Maldivas após sofrer doença da descompressão em mergulho a dezenas de metros de profundidade.
O mergulho técnico realizado em cavernas submarinas nas Maldivas terminou em tragédia após a morte do sargento-mor Mohamed Mahudhee durante uma operação de busca por quatro italianos desaparecidos. O militar participava das descidas no Atol de Vaavu, região conhecida por pontos de mergulho profundo, quando sofreu doença da descompressão, uma complicação associada à subida rápida demais após longos períodos sob alta pressão.
O caso mobilizou equipes locais de resgate e voltou a colocar em evidência um dos maiores riscos do mergulho profundo. A doença ocorre quando o organismo não consegue eliminar corretamente os gases acumulados durante a permanência debaixo d’água. Nessas condições, o nitrogênio absorvido pelo corpo passa a formar bolhas dentro da circulação sanguínea, comprometendo órgãos vitais.
O que acontece no corpo durante um mergulho profundo
Ao nível do mar, o organismo humano está submetido a uma atmosfera de pressão. No ambiente submarino, esse cenário muda rapidamente. A cada dez metros de profundidade, a pressão aumenta mais uma atmosfera, alterando a forma como os gases se comportam dentro do corpo.
O ar utilizado por mergulhadores contém grande quantidade de nitrogênio. Em situações normais, esse gás praticamente não interfere na circulação sanguínea. Sob pressão elevada, porém, ele passa a ser absorvido em níveis muito superiores pelo sangue e pelos tecidos do organismo.
Segundo especialistas ouvidos pela reportagem original do g1, o nitrogênio se dissolve nos músculos, na gordura corporal e até no cérebro enquanto o mergulhador permanece no fundo. O problema começa na subida, quando a pressão externa diminui rápido demais.
“Enquanto o mergulhador permanece no fundo, esse nitrogênio fica dissolvido sem causar dano. O problema é a volta”, explicou o neurocirurgião Helder Picarelli ao g1.
O organismo elimina esse excesso de gás pelos pulmões durante a respiração. Para isso, o sangue precisa circular repetidas vezes pelos alvéolos pulmonares, onde ocorre a troca gasosa. Quando a subida acontece de forma acelerada, não há tempo suficiente para esse processo.
Como surgem as bolhas no sangue
A comparação feita por médicos é semelhante à abertura de uma garrafa de refrigerante. Enquanto existe pressão interna, o gás permanece dissolvido no líquido. Quando a pressão cai rapidamente, aparecem bolhas.
No corpo humano, o mesmo mecanismo pode acontecer com o nitrogênio acumulado durante o mergulho. Com a redução brusca da pressão externa, o gás deixa de permanecer dissolvido e forma microbolhas dentro dos vasos sanguíneos.
Essas bolhas circulam pela corrente sanguínea e podem bloquear artérias menores, interrompendo a chegada de oxigênio aos tecidos. Em casos graves, o quadro provoca embolia gasosa, lesões neurológicas e falência cardiorrespiratória.
Sintomas podem começar minutos após sair da água
Os efeitos da doença da descompressão variam conforme a profundidade atingida, o tempo submerso e a velocidade da subida. Nos quadros considerados leves, os sintomas incluem dores articulares, fadiga intensa, manchas avermelhadas na pele, tontura e dormência.
Já os casos mais severos atingem órgãos vitais. Quando as bolhas alcançam os pulmões, podem causar falta de ar intensa. No cérebro, o risco envolve perda de consciência, alterações neurológicas e AVC. No coração, há possibilidade de parada cardíaca.
Médicos também relatam danos à medula espinhal, situação que ajuda a explicar casos de mergulhadores que desenvolveram paralisia após acidentes de descompressão.
- Dores nas articulações e músculos
- Falta de ar e tontura
- Dormência e alterações neurológicas
- Risco de AVC, infarto e parada cardíaca
- Lesões pulmonares e danos na medula
Por que mergulhadores fazem paradas antes de subir
O retorno à superfície em mergulhos técnicos segue protocolos rigorosos justamente para evitar a formação dessas bolhas. As chamadas paradas de descompressão obrigam o mergulhador a interromper a subida em diferentes profundidades por períodos determinados.
Essas pausas permitem que o organismo elimine gradualmente o nitrogênio acumulado pela respiração antes da redução completa da pressão externa.
A operação realizada nas Maldivas era considerada de alto risco pelas autoridades locais porque os italianos desaparecidos teriam mergulhado em uma área próxima dos 50 metros de profundidade, acima do limite normalmente recomendado para mergulho recreativo, em torno de 40 metros.
Segundo o G1, Mahudhee era descrito como experiente e acostumado a descidas ainda mais profundas. Mesmo assim, fatores como esforço físico, profundidade extrema, tempo prolongado debaixo d’água e velocidade de retorno continuam sendo determinantes para o risco de doença descompressiva, inclusive entre profissionais treinados.
Carro.Blog.Br May 19, 2026
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