Datafolha revela número que assusta o Brasil: 68 milhões vivem sob presença de facções e milícias
Uma pesquisa nacional divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha aponta que cerca de 68 milhões de brasileiros vivem em áreas onde há presença percebida de facções criminosas ou milícias. O número representa 41% da população e expõe o avanço do crime organizado sobre bairros, serviços e hábitos da população em diferentes regiões do país.
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que aproximadamente 68 milhões de brasileiros percebem a atuação de facções criminosas ou milícias nos bairros onde vivem. O dado corresponde a 41% da população e mostra a expansão da influência do crime organizado sobre o cotidiano urbano em diferentes regiões do país.
Segundo o levantamento, quase metade das pessoas que convivem com esse cenário afirma que a atuação desses grupos é “visível” ou “muito visível”. O estudo foi divulgado em meio ao debate crescente sobre segurança pública e sobre o impacto das organizações criminosas em serviços, comércio local e circulação de moradores.
Medo da violência mudou a rotina de milhões de brasileiros
Além da percepção da presença criminosa, a pesquisa aponta mudanças concretas de comportamento causadas pela insegurança. O relatório mostra que 57% dos brasileiros alteraram hábitos nos últimos 12 meses por medo da violência.
Entre as principais mudanças relatadas pelos entrevistados estão evitar sair à noite, mudar trajetos habituais e deixar de usar celular em espaços públicos.
- 36,5% mudaram percursos rotineiros
- 35,6% deixaram de sair à noite
- 33,5% passaram a evitar sair com celular
- 26,8% retiraram alianças ou acessórios pessoais
- 22,5% deixaram de adquirir bens por medo de roubo ou furto
O estudo também identificou que 96,2% dos entrevistados afirmam sentir medo de ao menos uma situação relacionada à violência urbana.
Crime organizado amplia influência sobre bairros e serviços
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o cenário atual vai além dos crimes tradicionais e mostra estruturas criminosas consolidadas em territórios urbanos.
“O momento atual que o Brasil vive é de consolidação criminal em torno de organizações que controlam territórios, mercados, economias e a vida da população”, afirmou Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O relatório cita organizações como PCC e Comando Vermelho ao abordar a expansão das cadeias criminosas ligadas a roubos, receptação, fraudes digitais e domínio territorial.
A pesquisa também mostra que parte da população afirma sofrer influência direta dessas organizações nas regras de convivência dos bairros onde mora. Um terço dos moradores dessas regiões disse que o crime organizado interfere fortemente na dinâmica local.
Outro dado apontado pelo levantamento envolve a exploração econômica em áreas dominadas. Segundo a pesquisa, 12% dos entrevistados disseram já ter sido obrigados a contratar serviços controlados por criminosos, como internet, TV a cabo, água, energia ou telefonia.
Levantamento coloca segurança no centro da eleição de 2026
O estudo foi encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública com o objetivo de subsidiar o debate eleitoral deste ano. O relatório critica discursos políticos baseados apenas em confronto ou endurecimento penal e defende ações coordenadas entre governos para retomada de territórios dominados pelo crime.
A diretora-executiva do Fórum, Samira Bueno, afirmou que o medo altera a mobilidade da população e produz impactos econômicos e psicológicos nas comunidades afetadas.
A pesquisa ouviu presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros entre os dias 9 e 10 de março de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
| Dado da pesquisa | Percentual |
|---|---|
| Brasileiros que percebem presença de facções ou milícias | 41% |
| Pessoas que mudaram hábitos por medo da violência | 57% |
| Entrevistados com medo de ao menos uma situação de violência | 96,2% |
| Pessoas que deixaram de sair à noite | 35,6% |
| Moradores obrigados a contratar serviços ligados ao crime | 12% |
Segundo Oglobo, o levantamento deve alimentar discussões sobre segurança pública ao longo da campanha eleitoral de 2026, enquanto governos estaduais e federal seguem pressionados por resultados diante da expansão das organizações criminosas em áreas urbanas do país.
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