Cachorro começa a esquecer a própria casa? Cientistas revelam os sinais ocultos do Alzheimer canino
O envelhecimento dos cães pode esconder uma doença neurológica que altera memória, comportamento e até hábitos básicos do animal dentro de casa. Pesquisadores identificaram sinais que vão muito além da velhice comum e alertam para sintomas frequentemente ignorados por tutores, como desorientação, ansiedade noturna e mudanças repentinas de comportamento.
O avanço da idade nos cães costuma trazer redução de energia, mais tempo de descanso e alterações físicas naturais. Mas veterinários alertam que alguns comportamentos tratados como simples consequência do envelhecimento podem indicar um quadro neurológico mais grave.
A síndrome da disfunção cognitiva canina, frequentemente chamada de Alzheimer canino, afeta funções cerebrais relacionadas à memória, orientação e comportamento. Em muitos casos, os sinais aparecem de forma gradual e passam despercebidos dentro da rotina da casa.
Segundo pesquisadores da Universidade Nacional da Colômbia, cães idosos podem começar a apresentar episódios de confusão dentro de ambientes familiares, esquecer comandos aprendidos ao longo da vida e mudar completamente a forma como interagem com pessoas e outros animais.
Sinais mais comuns aparecem dentro de casa
Os sintomas relatados pelos pesquisadores incluem alterações comportamentais que costumam ser interpretadas inicialmente como “coisas da idade”.
- Desorientação dentro da própria casa
- Distúrbios do sono durante a madrugada
- Ansiedade noturna e inquietação
- Perda de hábitos aprendidos
- Mudanças repentinas de comportamento
- Agressividade sem histórico anterior
- Alterações na alimentação
- Mudanças nos hábitos fisiológicos
Alguns cães passam a ficar acordados durante a noite, andando pela casa sem direção aparente. Outros demonstram dificuldade para reconhecer locais conhecidos ou parecem esquecer rotinas básicas estabelecidas há anos.
Veterinários recomendam atenção redobrada a mudanças de comportamento em cães acima dos 9 anos
Os pesquisadores também relataram aumento de medo e ansiedade em animais afetados pela doença, além de alterações no padrão alimentar e na frequência das refeições.
Gene associado à doença foi identificado em estudo
A pesquisa liderada pela veterinária Sonia Milena López Rodríguez, mestre em Neurociências pela Universidade Nacional da Colômbia, identificou pela primeira vez no país genes associados ao desenvolvimento da doença em cães.
O estudo apontou relação entre o Alzheimer canino e a presença do gene APOE em uma variante considerada mais agressiva. Segundo os pesquisadores, o gene interfere no sistema imunológico, aumenta processos inflamatórios e prejudica a comunicação entre neurônios.
Essas alterações podem acelerar a deterioração cerebral progressiva observada nos animais afetados pela síndrome cognitiva.
Os pesquisadores afirmam que a descoberta pode ajudar no desenvolvimento de futuras linhas de tratamento voltadas para retardar o avanço da degeneração neuronal em cães idosos.
Diagnóstico precoce virou foco de pesquisadores
Especialistas afirmam que identificar os sintomas precocemente pode melhorar a qualidade de vida do animal e ajudar no acompanhamento veterinário antes que a deterioração cognitiva avance.
A recomendação é que tutores observem mudanças repentinas de comportamento em cães a partir dos 9 ou 10 anos de idade, especialmente quando os sinais envolvem memória, sono, ansiedade ou desorientação frequente.
Segundo Oglobo, embora a doença ainda seja pouco discutida fora do ambiente veterinário, pesquisadores apontam que o aumento da expectativa de vida dos animais domésticos deve tornar os casos mais frequentes nos próximos anos.
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