Servidores da Educação de Mairiporã aprovam greve por reajuste, valorização e estrutura nas escolas

O clima nas escolas municipais de Mairiporã mudou após assembleia no dia 27: professores e servidores aprovaram greve por tempo indeterminado, exigindo reajuste salarial acima da inflação, reconhecimento acadêmico e melhoria estrutural. Enquanto a prefeitura afirma estar aberta ao diálogo, a categoria cobra respostas imediatas para demandas antigas, como salas lotadas, baixos salários e falta de valorização profissional.

Mairiporã
Publicado por Bianca Ludymila em 28/05/2025

A rede municipal de ensino de Mairiporã enfrenta um impasse após a aprovação de uma greve por parte dos servidores da Educação, deliberada em assembleia no dia 27 de maio. A paralisação, decidida por ampla maioria, foi motivada pela ausência de avanços concretos nas negociações entre o sindicato da categoria e a prefeitura local, que apresentou uma contraproposta considerada insuficiente pelos educadores.

Pontos Principais:

  • Servidores da Educação de Mairiporã aprovam greve em assembleia no dia 27 de maio.
  • Categoria reivindica reajuste acima da inflação, valorização acadêmica e melhores condições nas escolas.
  • Professores denunciam salas superlotadas, estrutura precária e plano de carreira desatualizado.
  • Reivindicações incluem revisão da Lei de Difícil Acesso e repasse dos recursos do SARESP.
  • Prefeitura diz estar aberta ao diálogo, mas educadores cobram medidas efetivas.

Entre as reivindicações principais está o reajuste salarial acima da inflação, uma demanda que reflete a crescente insatisfação com os baixos vencimentos diante do aumento do custo de vida. Os servidores também exigem o reconhecimento formal de títulos acadêmicos, como especialização, mestrado e doutorado, que atualmente não geram impacto direto na remuneração, segundo relatos da categoria.

Professores de Mairiporã iniciam greve por melhorias nas escolas.
Professores de Mairiporã iniciam greve por melhorias nas escolas.

A precariedade na infraestrutura escolar é outro ponto sensível. Professores e funcionários denunciam a falta de manutenção nas unidades, salas de aula superlotadas e ambientes inadequados para o desenvolvimento pedagógico. A redução do número de alunos por sala é uma das prioridades dos grevistas, que apontam esse fator como determinante para a melhoria da qualidade do ensino e para o bem-estar de docentes e estudantes.

Além das questões salariais e estruturais, a greve também expõe falhas no plano de carreira. A categoria cobra a valorização do tempo de serviço como critério de progressão, o que permitiria a construção de uma trajetória profissional mais justa e estável dentro da rede municipal. Atualmente, muitos profissionais relatam sentir-se desestimulados diante da estagnação funcional.

Outra pauta importante é a revisão da Lei de Difícil Acesso. De acordo com os servidores, a atual legislação não contempla todos os profissionais que enfrentam condições adversas para chegar às escolas, principalmente em áreas periféricas ou rurais. A exclusão de parte dos educadores dos benefícios previstos na lei tem gerado descontentamento crescente.

O sindicato também defende que as formações continuadas ocorram durante o expediente de trabalho, evitando a sobrecarga de horas fora da jornada regular. Educadores alegam que têm sido constantemente exigidos em eventos e capacitações nos horários de folga, comprometendo a saúde mental e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Outro ponto que gerou mobilização é a destinação dos recursos do SARESP. Os servidores solicitam que os valores adicionais provenientes do bom desempenho dos alunos sejam repassados diretamente às escolas de origem, fortalecendo o investimento em iniciativas locais e reconhecendo o esforço das comunidades escolares.

Em resposta à paralisação, a Coordenadoria de Comunicação da Prefeitura de Mairiporã informou que o prefeito agendou uma reunião para o mesmo dia da assembleia, com representantes do sindicato e da Secretaria de Educação. O comunicado oficial destaca a disposição para o diálogo e o compromisso com soluções que respeitem o interesse público e a viabilidade financeira do município.

Apesar do gesto institucional, os profissionais da Educação afirmam que o encontro precisa ser acompanhado de propostas concretas. A greve, segundo eles, não é apenas uma medida de pressão, mas uma tentativa legítima de garantir condições mínimas para exercer a profissão com dignidade e oferecer ensino de qualidade à população.

O movimento em Mairiporã reflete uma realidade que vem se intensificando em diversas regiões do Estado de São Paulo. Pressionados por anos de descaso, cortes orçamentários e falta de valorização, os profissionais da educação municipal agora buscam visibilidade, respeito e políticas públicas que sustentem uma escola mais justa e humana para todos.

Bianca Ludymila Peres Corrêa
Bianca Ludymila Peres Corrêa
Jornalista (MTB 0081969/SP) dedicada à cobertura de temas regionais e nacionais, atua com olhar atento ao cotidiano, política e sociedade. Produz conteúdo claro, informativo e relevante para diferentes públicos.

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