Por que carros elétricos perdem tanta autonomia no frio? Teste da Noruega mostrou números que assustaram montadoras
Um teste conduzido na Noruega expôs diferenças gigantes entre a autonomia prometida e a real de carros elétricos em temperaturas de até -32ºC.
O maior teste independente de autonomia de carros elétricos em clima extremo voltou a colocar pressão sobre montadoras que divulgam números elevados de alcance no ciclo WLTP. Realizado pelo Automóvel Clube Norueguês, conhecido pela sigla NAF, o experimento colocou 27 modelos elétricos em uma mesma rota, sob as mesmas condições climáticas e enfrentando temperaturas que chegaram a -32ºC.
A proposta do teste é simples. Todos os veículos são carregados completamente antes da saída e percorrem juntos um trajeto de mais de 400 quilômetros entre Oslo e regiões montanhosas do interior da Noruega. O objetivo é medir quanto cada modelo consegue rodar em condições reais de estrada e comparar o resultado com a autonomia oficial divulgada pelas fabricantes.
Frio extremo virou o maior desafio do teste em 2026
A edição deste ano entrou para a história do experimento por causa das temperaturas extremamente baixas registradas durante o percurso. Segundo os organizadores, o clima foi um dos mais severos desde o início da avaliação, em 2020.
Os termômetros marcaram -8ºC em Oslo e chegaram a -32ºC em Høyeste, trecho de altitude elevada no percurso norueguês. O trajeto ainda inclui longas subidas de montanha, incluindo pontos acima de mil metros de altitude, cenário considerado crítico para baterias de veículos elétricos.
Durante o teste, os motoristas interrompem a condução quando percebem perda significativa de potência, sem descarregar totalmente a bateria. Em um dos casos deste ano, um dos carros apresentou redução de desempenho mesmo ainda indicando 11% de carga restante.
O experimento tenta responder uma pergunta simples que compradores fazem antes de investir em um carro elétrico: quanto ele realmente roda em uma rodovia no inverno?
Modelos chineses lideraram desempenho proporcional
Os dados divulgados pela associação norueguesa mostraram que os carros que menos se distanciaram da autonomia prometida foram justamente modelos ligados a fabricantes chinesas ou asiáticas.
O Hyundai Interster e o MG IM6 apresentaram perda de cerca de 29% em relação ao ciclo WLTP, liderando o ranking proporcional do teste.
- Hyundai Interster: 256 km rodados, contra 360 km prometidos
- KGM Musso EV: 263 km rodados, contra 379 km no WLTP
- Voyah Courage: 300 km rodados, contra 440 km declarados
- Changan Deepal S05: 293 km rodados, contra 445 km oficiais
- MG IM6: 352 km rodados, contra 505 km no ciclo WLTP
Apesar da diferença relevante entre o número oficial e o desempenho real, os organizadores destacaram que o teste ocorre em condições consideradas excepcionais até mesmo para o inverno europeu.
Tesla, BMW e Mercedes ficaram entre os maiores desvios
Os números mais negativos apareceram justamente entre modelos premium e carros conhecidos por divulgar grandes autonomias no papel.
O Lucid Air foi o modelo que apresentou a maior diferença absoluta entre o alcance prometido e o obtido na prática. O sedã percorreu 520 quilômetros antes de perder desempenho relevante, mas ficou muito distante dos 960 quilômetros anunciados oficialmente.
| Modelo | Autonomia real | WLTP | Diferença |
|---|---|---|---|
| BMW iX | 388 km | 641 km | 253 km |
| Tesla Model Y | 359 km | 629 km | 270 km |
| Volvo EX90 | 339 km | 611 km | 272 km |
| Mercedes CLA | 421 km | 709 km | 288 km |
| Lucid Air | 520 km | 960 km | 440 km |
Os organizadores do NAF ressaltaram que o Lucid Air também foi um dos melhores modelos no teste de verão anterior, indicando que as temperaturas extremas tiveram impacto decisivo no resultado final.
Teste ganhou relevância após dúvidas sobre autonomia real
A avaliação norueguesa se tornou referência internacional porque tenta reproduzir o uso cotidiano em rodovias, cenário considerado mais desafiador para carros elétricos do que o trânsito urbano.
No ambiente urbano, a regeneração de energia e as velocidades reduzidas ajudam a preservar bateria e consumo. Já em viagens longas, principalmente em clima severo, o gasto energético aumenta de forma significativa.
O experimento também voltou ao centro das discussões sobre veículos elétricos porque confronta diretamente críticas frequentes feitas por consumidores e céticos da eletrificação, especialmente sobre desempenho em regiões frias, revelou o Xataka.
Mesmo com perdas expressivas de autonomia, os dados mostraram que praticamente todos os veículos testados conseguiram rodar entre 340 e mais de 500 quilômetros antes de apresentar queda severa de desempenho, mesmo enfrentando temperaturas próximas de -30ºC.
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