Polícia Civil cumpriu mandados contra suspeitos de atuar como falsos médicos em hospital de São Paulo
A Operação Hipócrates apura atuação clandestina de homens que teriam realizado cerca de 2 mil atendimentos irregulares em hospital da zona leste.
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta terça-feira (26) a segunda fase da Operação Hipócrates, investigação que apura um esquema de atuação de falsos médicos dentro de um hospital particular da zona leste da capital paulista. Segundo os investigadores, dois homens teriam exercido ilegalmente a profissão durante cerca de dois anos e realizado aproximadamente 2 mil atendimentos no período.
O caso ganhou novas proporções após o inquérito apontar que ao menos nove pacientes morreram em circunstâncias relacionadas a supostos erros e falhas nos atendimentos prestados pelos investigados. A operação é conduzida pelo 22º Distrito Policial, em São Miguel Paulista, e envolve mandados de prisão temporária, buscas e medidas cautelares autorizadas pela Justiça.
As diligências ocorreram simultaneamente na capital paulista e em cidades da Grande São Paulo, incluindo Guarulhos, São Bernardo do Campo, Poá e Mogi das Cruzes. Ao todo, a força-tarefa mobilizou 13 viaturas, três delegados, 35 investigadores e seis escrivães. Até o início da manhã, um dos alvos já havia sido localizado pelas equipes.
Investigação também mira direção do hospital
Além da suspeita de exercício ilegal da medicina, a investigação passou a analisar a conduta administrativa do hospital privado onde os atendimentos eram realizados. A Polícia Civil afirma ter identificado indícios de omissão e negligência por parte da unidade de saúde durante o período em que os suspeitos atuaram no local.
Por decisão judicial, a gestora operacional e o diretor clínico do hospital foram afastados das funções enquanto o inquérito continua. Os investigadores querem entender como os suspeitos conseguiram atuar por tanto tempo dentro da instituição sem que a fraude fosse interrompida.
“Estamos falando de pessoas que exerceram ilegalmente uma profissão que lida diretamente com vidas. A investigação aponta uma atuação clandestina prolongada, com consequências gravíssimas para pacientes”, afirmou o delegado Mariano de Araújo, titular do 22º DP.
O caso também levanta questionamentos sobre os mecanismos internos de validação profissional em hospitais privados, especialmente em setores de atendimento de alta demanda. A polícia investiga o uso de documentos falsificados e possíveis falhas nos processos de contratação e fiscalização da unidade.
Operação começou no ano passado
A primeira fase da Operação Hipócrates foi realizada em 16 de dezembro do ano passado, quando policiais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão dentro do hospital investigado. Na época, o inquérito havia sido aberto para apurar suspeitas de exercício ilegal da profissão, estelionato e uso de documentos falsos.
Com o avanço das investigações, a polícia afirma ter reunido elementos que ampliaram o alcance da operação e indicaram consequências mais graves ligadas aos atendimentos realizados pelos suspeitos. O material apreendido nas fases anteriores passou por análise técnica e ajudou a identificar a rotina de atuação dentro da unidade hospitalar.
Apuração continua em andamento
Os investigadores ainda analisam prontuários, registros administrativos e documentos relacionados aos atendimentos realizados ao longo dos últimos dois anos. A polícia busca identificar outros possíveis envolvidos e verificar se houve participação de funcionários ou terceirizados na permanência dos suspeitos dentro da instituição.
Até o momento, o nome do hospital não foi divulgado oficialmente pelas autoridades responsáveis pela investigação. A Operação Hipócrates segue em andamento e novas medidas judiciais não estão descartadas pela Polícia Civil conforme o avanço da apuração.
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