PF cancela porte de armas de GCMs de Ribeirão Pires e PM assume reforço no policiamento

A Polícia Federal cancelou o porte funcional dos 114 guardas-civis municipais de Ribeirão Pires após apontar falhas no acordo técnico de 2021.

Cidades
Publicado por em 18/06/2026
PF cancela porte de armas de GCMs de Ribeirão Pires e PM assume reforço no policiamento

A Polícia Federal cancelou a autorização de uso de arma funcional dos 114 guardas-civis municipais de Ribeirão Pires, na Grande São Paulo, após apontar descumprimento de exigências previstas em um acordo de cooperação técnica firmado em 2021. A medida passou a impedir que os agentes saiam às ruas com armamento oficial da corporação, incluindo o comandante-geral da Guarda, que também teve o porte funcional cancelado.

A decisão foi tomada pela Delegacia de Controle de Armas de Fogo da PF em São Paulo. O caso provocou uma reunião de emergência entre a Secretaria Municipal de Segurança Pública, o comando da GCM, a Polícia Militar da Grande SP e o Ministério Público de São Paulo. Ficou definido que as armas usadas pelos guardas seriam recolhidas e que a PM reforçaria o policiamento na cidade até a regularização da situação junto à Polícia Federal.

O cancelamento expôs uma crise administrativa e institucional dentro da Guarda de Ribeirão Pires. Segundo a apuração divulgada pelo g1, a PF apontou falhas como a ausência de controles internos e externos independentes, problemas ligados à Corregedoria e à Ouvidoria, além da falta de controle eletrônico sobre uso e armazenamento das armas da corporação.

PF apontou falhas no controle de armas e documentos

Entre os pontos levantados estão a inexistência de controle eletrônico do uso de armas e do ponto dos funcionários. Segundo a reportagem, registros ainda seriam feitos manualmente, o que dificultaria fiscalização, auditoria, controle de ocorrências, arquivo e guarda de armamento na base policial da cidade.

Para autoridades federais e estaduais citadas na apuração, esse modelo aumenta o risco de fraude, destruição e falsificação de registros e provas de eventuais irregularidades. A situação destoaria de municípios vizinhos, que já teriam sistemas eletrônicos de controle há anos.

O cancelamento dos portes foi tratado como medida preventiva até que a Guarda regularize as exigências previstas no acordo de cooperação com a Polícia Federal.

A Polícia Federal é responsável por conceder portes funcionais às guardas municipais no país e fiscalizar as condições para manutenção desses armamentos. No caso de Ribeirão Pires, documentos e avaliações que deveriam ter sido providenciados pela corporação não teriam sido encaminhados ou não teriam preenchido os requisitos exigidos.

Prefeitura reconheceu falha administrativa

A Secretaria Municipal de Segurança Pública de Ribeirão Pires confirmou o cancelamento dos portes funcionais e atribuiu o problema a divergências documentais. A gestão municipal afirmou reconhecer a validade dos apontamentos e a falha administrativa, que, segundo a pasta, será sanada.

A Prefeitura também informou que alinhou com o Ministério Público e com a Secretaria de Segurança Pública do Estado o envio de efetivo da Polícia Militar em número suficiente para suprir a necessidade da cidade enquanto as pendências são resolvidas.

Ponto do caso Informação
Cidade Ribeirão Pires, Grande São Paulo
Medida Cancelamento dos portes funcionais da GCM
Total de agentes afetados 114 guardas-civis municipais
Órgão responsável Polícia Federal
Motivo apontado Descumprimento de exigências de acordo técnico de 2021
Resposta imediata Recolhimento das armas e reforço da Polícia Militar

A Secretaria da Segurança Pública do Estado informou que a Polícia Militar já adota medidas para garantir a segurança da população, com planejamento operacional e diálogo com a Prefeitura e demais órgãos. Por razões estratégicas, o governo estadual disse que não divulga quantidade de efetivo nem cronograma das ações.

MP diz que população não ficará sem policiamento

O promotor Jonathan Vieira de Azevedo, do Ministério Público de São Paulo, afirmou que o desarmamento da GCM criou um vácuo operacional, mas que providências foram tomadas para preenchê-lo com apoio da Polícia Militar. Segundo ele, a população não ficará sem policiamento ostensivo e preventivo durante o período de transição.

O caso ocorre em paralelo a outra apuração conduzida pelo Ministério Público. Membros da GCM de Ribeirão Pires são investigados por suspeita de formação de milícia, assédio moral, abuso de autoridade, perseguição interna e possível uso indevido de bens públicos. Pelo menos 20 guardas prestaram depoimento à Promotoria relatando problemas dentro da corporação.

Segundo documentos mencionados na reportagem, as denúncias apontam tratamentos humilhantes, xingamentos, ameaças, coações verbais, uso de procedimentos disciplinares contra subordinados e suposto confisco irregular de armas. Também há relatos sobre possível desvio de bens da GCM e uso de viaturas, pessoal e materiais para serviços particulares de segurança privada.

Investigação cita suspeitas dentro da corporação

O Ministério Público recomendou anteriormente o afastamento de integrantes do comando da corporação citados nas denúncias. O promotor afirmou que os relatos revelam um padrão preocupante de condutas com potencial para comprometer a coesão interna da Guarda e a prestação de serviços essenciais à população.

A investigação também menciona a suposta influência de um ex-secretário de Segurança, que já havia deixado o cargo após condenação por furto de açougues ocorrida em 2018, quando era subcomandante da GCM. Segundo a apuração, ele é apontado em depoimentos como figura ainda influente na corporação, embora afastado da estrutura formal.

  • A PF cancelou o porte funcional dos 114 GCMs de Ribeirão Pires.
  • A medida atinge até o comandante-geral da corporação.
  • A decisão foi motivada por descumprimento de exigências de acordo técnico de 2021.
  • Foram apontadas falhas em controle de armas, registros e estrutura de fiscalização.
  • A PM vai reforçar o policiamento enquanto a GCM é regularizada.
  • O MP investiga denúncias de assédio, abuso de autoridade e suspeita de milícia.

A Prefeitura afirmou que, se a Justiça informar os nomes de GCMs investigados na suposta situação de milícia, os servidores serão afastados imediatamente e as medidas cabíveis serão tomadas.

O Ministério Público, a Secretaria Municipal de Segurança Pública, o comando da GCM, a Polícia Federal e demais órgãos envolvidos seguem trabalhando para regularizar a situação e retomar as credenciais da Guarda de Ribeirão Pires junto à PF.

Bianca Ludymila Peres Corrêa
Bianca Ludymila Peres Corrêa
Jornalista (MTB 0081969/SP) dedicada à cobertura de temas regionais e nacionais, atua com olhar atento ao cotidiano, política e sociedade. Produz conteúdo claro, informativo e relevante para diferentes públicos.

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