PCC usava hotéis na cracolândia para esconder dinheiro e drogas, diz Justiça; condenações chegam a 13 anos
A Justiça de São Paulo condenou cinco pessoas acusadas de integrar um esquema ligado ao PCC que utilizava hotéis e imóveis na favela do Moinho, na região central da capital paulista, para apoiar atividades criminosas. As penas chegam a 13 anos de prisão e incluem crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e participação no tráfico de drogas. O caso é resultado de uma investigação iniciada em 2024 pelo Ministério Público durante operação que atingiu a cracolândia e estabelecimentos usados pela facção.
A Justiça paulista condenou cinco pessoas acusadas de coordenar uma rede de hotéis utilizada pelo PCC na favela do Moinho, comunidade localizada entre linhas ferroviárias na região central de São Paulo. A decisão é um dos principais desdobramentos da operação Salus et Dignas, realizada pelo Ministério Público em 2024.
As penas variam entre nove e 13 anos de prisão em regime fechado. Além disso, os condenados terão de pagar multa de R$ 1 milhão. O Estado também assumirá a posse de oito imóveis envolvidos nas investigações.
Segundo o Ministério Público, os hotéis funcionavam como estrutura operacional para atividades criminosas ligadas ao tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e abrigo de integrantes da facção criminosa.
Investigação aponta rede de apoio ao crime organizado no centro de SP
As investigações identificaram que os estabelecimentos localizados na favela do Moinho eram utilizados para diferentes etapas da operação criminosa.
De acordo com a denúncia, os imóveis serviam para armazenar drogas, facilitar a distribuição de entorpecentes e movimentar recursos financeiros oriundos de atividades ilegais. Parte dos locais também era usada para hospedar criminosos envolvidos em roubos e furtos na região central da capital paulista.
A operação realizada em 2024 resultou inicialmente na prisão de 13 pessoas e na interdição ou autuação de dez estabelecimentos na comunidade.
Condenações incluem tráfico, lavagem de dinheiro e prostituição
As condenações envolvem crimes de organização criminosa, participação no tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e exploração de imóveis ligados a atividades ilegais.
Segundo a decisão judicial, alguns dos imóveis investigados também eram utilizados em esquemas relacionados à exploração sexual e apoio logístico às operações da facção criminosa.
- As penas variam de 9 a 13 anos de prisão
- O grupo também foi condenado a pagar R$ 1 milhão em multa
- Oito imóveis ligados ao esquema serão incorporados pelo Estado
- A investigação começou durante operação do Ministério Público em 2024
- Os hotéis ficavam na favela do Moinho, no centro de São Paulo
Defesas alegaram falta de provas e negaram ligação com facção
Durante o processo, as defesas dos acusados afirmaram que não havia elementos suficientes para comprovar participação direta dos investigados nas atividades criminosas descritas pelo Ministério Público.
Os advogados também sustentaram que os imóveis funcionavam como atividade comercial regular e alegaram ausência de provas concretas sobre conhecimento das operações ilegais apontadas pela investigação.
A sentença absolveu um dos investigados de todas as acusações apresentadas no processo.
Favela do Moinho vive remoções e transformação urbana
A favela do Moinho se tornou um dos principais focos de intervenção urbana e policial na região central de São Paulo nos últimos anos. A comunidade cresceu ao redor de antigos silos industriais e ficou conhecida pela proximidade com a cracolândia.
Em abril de 2025, o governo paulista iniciou um plano de remoção das famílias que vivem na área. Aproximadamente 850 famílias passaram a ser incluídas em programas habitacionais subsidiados com recursos estaduais e federais.
Parte da comunidade já foi demolida ao longo do último ano. Máquinas de trituração de entulho e áreas descaracterizadas substituíram antigas moradias próximas aos trilhos das linhas 7-Rubi e 8-Diamante.
Segundo a Folha, as investigações sobre o uso de imóveis da região por integrantes do crime organizado continuam em andamento e ainda há processos relacionados à operação aguardando julgamento na Justiça paulista.
Leia mais em São Paulo
Últimas novidades



















