Negócios do Brasil além do futebol que devem faturar alto durante a Copa 2026
A Copa do Mundo de 2026 deve injetar R$ 4,32 bilhões no varejo brasileiro, com destaque para supermercados, vestuário, alimentação e tecnologia em um cenário de renda mais forte.
A Copa do Mundo de 2026 promete gerar efeitos muito além dos estádios. Mesmo com os jogos acontecendo nos Estados Unidos, Canadá e México, o torneio deve provocar uma forte movimentação econômica no Brasil, impulsionando setores ligados ao consumo das famílias, alimentação, entretenimento e comércio.
A projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo aponta que o Mundial poderá gerar R$ 4,32 bilhões adicionais para o varejo brasileiro. O resultado representa crescimento real em relação à Copa de 2022 e ocorre em um momento marcado pela redução do desemprego e pelo avanço da renda da população.
O fenômeno acontece porque poucos eventos ainda conseguem alterar simultaneamente o comportamento de milhões de consumidores. Durante a Copa, famílias organizam encontros, bares ampliam a operação, empresas lançam campanhas especiais e consumidores aumentam gastos relacionados ao acompanhamento dos jogos.
Supermercados concentram a maior parte do dinheiro da Copa

O principal beneficiado pelo torneio deve ser o setor de hipermercados, supermercados, alimentos e bebidas. A estimativa é de movimentação de R$ 2,97 bilhões, valor que representa 59,3% de todo o impacto econômico previsto para o varejo.
O dado mostra que o verdadeiro centro financeiro da Copa não está nos estádios nem nos patrocinadores globais. Ele está nos corredores dos supermercados, onde milhões de brasileiros fazem compras para churrascos, reuniões familiares e encontros com amigos durante os jogos.
A tradição de assistir às partidas em grupo continua sendo uma das principais características do consumo brasileiro durante os Mundiais. Isso amplia a procura por carnes, bebidas, snacks, sobremesas, produtos para churrasco e diversos itens associados às confraternizações.
Quase seis de cada dez reais movimentados pela Copa no varejo brasileiro devem passar pelo setor de supermercados, alimentos e bebidas.
Roupas e acessórios aparecem como segundo maior destaque

O vestuário surge como outro vencedor da competição. Segundo as projeções, o setor deve movimentar R$ 803,7 milhões, concentrando 16% de todo o faturamento adicional esperado.
A busca por camisas da seleção, roupas esportivas, peças nas cores verde e amarela e acessórios temáticos costuma crescer à medida que a competição avança. O comportamento é reforçado pelo engajamento emocional dos consumidores e pela visibilidade gerada pelos jogos.
Além das camisas oficiais, o comércio costuma registrar aumento na procura por produtos inspirados no torneio, especialmente entre consumidores mais jovens que vivem sua primeira Copa com renda própria.
Consumo dentro de casa também ganha força
A Copa impulsiona uma série de categorias menos lembradas, mas que acumulam faturamento relevante. Os artigos de uso pessoal e doméstico devem movimentar R$ 262,6 milhões durante o período, representando 5,2% do impacto total.
São produtos ligados à preparação da casa para receber convidados, organização de encontros e melhorias temporárias nos ambientes onde os jogos serão assistidos.
Ao mesmo tempo, móveis e eletrodomésticos devem adicionar R$ 198,5 milhões às vendas do varejo. Embora o consumidor esteja mais cauteloso com compras financiadas por causa dos juros elevados, ainda existe demanda por equipamentos que melhorem a experiência durante o torneio.
Tecnologia acompanha a nova forma de assistir aos jogos
A relação entre Copa e televisão continua forte, mas o comportamento do público mudou nos últimos anos. O celular, as redes sociais, os aplicativos e as plataformas de streaming passaram a dividir espaço com a tela principal.
A categoria de informática e comunicação deve movimentar R$ 80,2 milhões durante a competição. O valor é menor que o de outros segmentos, mas reflete uma transformação importante na forma como o conteúdo esportivo é consumido.
Hoje, o torcedor acompanha a transmissão, comenta nas redes sociais, assiste a análises, recebe notificações em tempo real e interage com influenciadores simultaneamente. A experiência da Copa passou a acontecer em múltiplas telas.
| Segmento do varejo | Faturamento adicional previsto | Participação no total | Principais produtos e serviços beneficiados | Motivo do crescimento durante a Copa |
|---|---|---|---|---|
| Hipermercados, supermercados, alimentos e bebidas | R$ 2,97 bilhões | 59,3% | Carnes para churrasco, cervejas, refrigerantes, água, energéticos, snacks, amendoins, pipoca, carvão, gelo, queijos, frios e sobremesas | Reuniões familiares e encontros entre amigos para assistir aos jogos aumentam significativamente o consumo doméstico |
| Vestuário e acessórios | R$ 803,7 milhões | 16,0% | Camisas da seleção, roupas esportivas, bonés, bandeiras, acessórios temáticos, peças verde e amarela e produtos personalizados | Consumidores buscam demonstrar apoio à seleção e participar do clima do torneio |
| Artigos de uso pessoal e doméstico | R$ 262,6 milhões | 5,2% | Utensílios para churrasco, copos, pratos, recipientes, organizadores, decoração temática e itens para recepção de convidados | Preparação das residências para eventos sociais durante os dias de partidas |
| Móveis e eletrodomésticos | R$ 198,5 milhões | 4,0% | Smart TVs, airfryers, caixas de som, churrasqueiras elétricas, freezers, refrigeradores e equipamentos de entretenimento | Consumidores buscam melhorar a experiência de assistir aos jogos em casa |
| Informática e comunicação | R$ 80,2 milhões | 1,6% | Smartphones, notebooks, tablets, acessórios, roteadores, pacotes digitais e serviços conectados | Acompanhamento dos jogos em múltiplas telas e crescimento do consumo digital |
| Bares e restaurantes* | Não divulgado pela CNC | Fora da projeção setorial do varejo | Refeições, bebidas, promoções temáticas, telões e eventos para transmissão das partidas | Mais da metade dos estabelecimentos pretende transmitir os jogos e a maioria espera aumento no faturamento |
| Streaming, mídia e conteúdo digital* | Não divulgado pela CNC | Não contabilizado separadamente | Assinaturas digitais, publicidade online, transmissões esportivas, influenciadores e plataformas de vídeo | Crescimento do consumo simultâneo de conteúdo durante a competição |
| Total projetado para o varejo brasileiro | R$ 4,32 bilhões | 100% | Impacto econômico adicional estimado para a Copa do Mundo de 2026 | |
A Copa do Mundo mantém uma característica rara em uma economia cada vez mais fragmentada: a capacidade de sincronizar decisões de consumo de milhões de pessoas ao mesmo tempo. Enquanto algoritmos dividem audiências e personalizam conteúdos, o torneio ainda consegue criar uma agenda coletiva compartilhada em todo o país.
Esse efeito explica por que o impacto econômico vai muito além do futebol. O evento gera ocasiões de consumo, estimula encontros presenciais, movimenta setores diversos e cria oportunidades para empresas de todos os portes.
Com desemprego menor, renda mais elevada e expectativa de forte engajamento do público brasileiro, a Copa de 2026 deve reforçar o papel dos grandes eventos esportivos como motores temporários da atividade econômica. A intensidade desse movimento ainda dependerá do desempenho da seleção brasileira ao longo da competição, fator que historicamente amplia o consumo conforme o país avança nas fases decisivas do torneio.

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