Matatabi: a planta que conquistou gatos mais do que a famosa erva-de-gato
Um estudo japonês mostrou que muitos gatos preferem o matatabi à tradicional erva-de-gato, mesmo com menor concentração de compostos estimulantes.
A erva-de-gato, conhecida internacionalmente como catnip, se tornou uma das plantas mais associadas ao comportamento felino por provocar reações de excitação, brincadeiras e interesse intenso em muitos gatos domésticos. Mas um estudo realizado no Japão indicou que outra planta pode despertar uma resposta ainda mais forte nos animais.
Pesquisadores da Universidade de Iwate compararam a reação de gatos diante da erva-de-gato e do matatabi, planta asiática conhecida cientificamente como Actinidia polygama. O resultado surpreendeu os cientistas: mesmo quando expostos simultaneamente às duas opções, grande parte dos felinos demonstrou preferência clara pelo matatabi.
Parte da pesquisa aconteceu em um jardim na cidade de Morioka, no norte do Japão. Os pesquisadores colocaram galhos frescos das duas plantas em áreas próximas e acompanharam o comportamento de seis gatos que circulavam livremente pelo local.
Das 22 visitas registradas durante os testes, em 21 ocasiões os animais preferiram interagir com o matatabi. Os gatos se esfregavam, rolavam sobre os galhos e permaneciam mais tempo próximos à planta asiática, enquanto a erva-de-gato despertava pouco interesse.
Teste com gatos de diferentes países repetiu preferência
Os cientistas decidiram ampliar o experimento em ambiente fechado utilizando 22 gatos de raça pura originários de países como Estados Unidos, Reino Unido, Rússia e Irã. Segundo os pesquisadores, os animais nunca haviam tido contato prévio com nenhuma das plantas utilizadas no estudo, revelou o iG.
Mesmo assim, os resultados seguiram o mesmo padrão observado no jardim japonês.
- 15 gatos reagiram apenas ao matatabi
- 3 demonstraram preferência exclusiva pela erva-de-gato
- 1 animal reagiu às duas plantas
- 3 gatos não demonstraram interesse
Os pesquisadores também testaram extratos das plantas posicionados em lados opostos de um mesmo tijolo para evitar influência do ambiente ou da localização dos odores. Ainda assim, os gatos continuaram escolhendo o matatabi com maior frequência.
Resultado surpreendeu pesquisadores

Segundo os autores do estudo, a surpresa ocorreu porque a erva-de-gato utilizada nos experimentos possuía cerca de 170 vezes mais compostos estimulantes do que o matatabi. Mesmo diante dessa diferença, os felinos seguiram demonstrando maior atração pela planta asiática.
Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que o cheiro da erva-de-gato possa se tornar intenso demais quando o gato pode escolher livremente entre diferentes estímulos.
Outra possibilidade considerada pelos cientistas envolve a composição aromática do matatabi. A planta pode oferecer mistura mais variada de odores, prolongando o interesse dos animais durante as interações.
Planta asiática já é conhecida como “silver vine”
Conhecido também como “silver vine”, o matatabi é encontrado em países como Japão, China e Coreia. O nome teria origem em uma expressão japonesa ligada à ideia de “viajar novamente”, referência tradicional aos frutos da planta.
Além do interesse despertado em gatos, pesquisadores japoneses observam características curiosas da espécie, como folhas que desenvolvem manchas brancas temporárias próximas às extremidades dos galhos antes de voltarem à coloração verde.
Segundo estudos citados por universidades japonesas, essa alteração visual pode funcionar como mecanismo natural para atrair insetos polinizadores até flores escondidas entre as folhas.
Pesquisa pode influenciar mercado de produtos para gatos
Os pesquisadores afirmam que os resultados podem ajudar no desenvolvimento de brinquedos, arranhadores e produtos de enriquecimento ambiental voltados para felinos domésticos.
Hoje, boa parte desses itens utiliza erva-de-gato como principal estímulo aromático. O matatabi, porém, surge como alternativa para gatos que não reagem à catnip ou demonstram interesse reduzido pela planta mais popular.
O estudo também reforçou a importância de observar o comportamento dos animais em situações menos controladas e mais próximas da rotina natural, já que os resultados em ambientes livres acabaram sendo diferentes dos testes tradicionais feitos apenas em laboratório.
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