Maria Helena Moraes Scripilliti: A mulher de R$ 26,8 bilhões que quase ninguém reconhece na rua e controla parte de um dos maiores impérios do Brasil
Discreta e distante da exposição pública, a empresária integra a família responsável pela expansão de um conglomerado presente em 19 países.
Maria Helena Moraes Scripilliti ocupa posição entre as mulheres mais ricas do Brasil, mas permanece distante do perfil normalmente associado às grandes fortunas do país. Sem presença constante em eventos públicos ou exposição frequente na mídia, ela integra a família responsável pela consolidação da Votorantim, um dos maiores conglomerados privados brasileiros.
Com patrimônio estimado em R$ 26,8 bilhões segundo a Forbes, a empresária aparece associada à trajetória de expansão do grupo ao lado do marido, Clóvis Scripilliti, morto em setembro de 2000 aos 74 anos. Juntos, participaram da estruturação da holding que hoje reúne operações em diferentes setores estratégicos da economia brasileira.
A Votorantim atua em áreas como cimento, finanças, energia, alumínio, mineração e produção de suco de laranja. O conglomerado mantém presença em 19 países e segue operando sob modelo de capital fechado, característica que historicamente reforçou a discrição dos integrantes da família controladora.
Família participou da expansão do grupo
Ao longo das últimas décadas, o sobrenome Scripilliti passou a integrar a estrutura de comando e sucessão da Votorantim. O casal teve quatro filhos, embora apenas dois tenham atuação pública mais conhecida.
Entre eles está Clóvis Ermínio Moraes Scripilliti, que ocupou a vice-presidência do grupo. Outro nome ligado diretamente à governança familiar é Regina Helena Velloso, filha de Maria Helena, que ganhou projeção em iniciativas sociais e em discussões sobre sucessão patrimonial.
Atualmente, Regina atua como presidente do Conselho de Família Votorantim, responsável por diretrizes ligadas à Hejoassu, holding que controla o conglomerado.
Sucessão começou ainda na infância
Durante participação em evento do Seminário LIDE, em São Paulo, Regina Helena Velloso afirmou que a preparação para a continuidade dos negócios começou ainda na infância. Segundo ela, os filhos foram inseridos cedo nas discussões familiares relacionadas à convivência e sucessão.
“Começamos a trabalhar a sucessão familiar aos cinco anos de idade”, afirmou a empresária durante o encontro.
A declaração chamou atenção por revelar uma estrutura de formação interna pouco comum fora das grandes famílias empresárias brasileiras. O objetivo, segundo Regina, era estimular integração entre os herdeiros para facilitar a continuidade do grupo nas gerações seguintes.
Além da atuação na governança familiar, Regina também presidiu a Associação de Assistência à Criança com Deficiência entre 2015 e 2018. Em entrevistas públicas, passou a defender o incentivo à filantropia dentro da própria família.
“Façam coisas que façam a diferença”, declarou em entrevista ao Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social.
Grupo atua em setores estratégicos da economia
A estrutura da Votorantim reúne operações em diferentes segmentos considerados essenciais para a economia nacional.
- Materiais de construção, com a Votorantim Cimentos
- Serviços financeiros por meio do banco BV
- Energia e infraestrutura
- Mineração e alumínio
- Produção de suco de laranja
O perfil reservado da família sempre acompanhou a estratégia do grupo, que evita abertura de capital e mantém decisões concentradas em estruturas familiares e conselhos internos. Mesmo assim, o crescimento das discussões sobre heranças bilionárias, sucessão empresarial e governança passou a aumentar o interesse público sobre nomes historicamente afastados da exposição, revelou o Nsctotal.
A movimentação recente ocorre em um momento em que grandes grupos familiares brasileiros enfrentam debates sobre continuidade administrativa, preservação patrimonial e formação das próximas gerações que devem assumir posições estratégicas dentro das empresas.
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