Kassab diz ser contra projeto ‘Times Square Paulistana’ se Lei Cidade Limpa de SP for violada
A proposta de transformar o cruzamento das avenidas São João e Ipiranga em uma espécie de Times Square paulistana reacendeu o debate sobre publicidade urbana e ocupação do espaço público, após críticas do ex-prefeito Gilberto Kassab, que condicionou apoio ao respeito integral à Lei Cidade Limpa.
A proposta de instalação de painéis de LED no cruzamento das avenidas São João e Ipiranga, no Centro de São Paulo, ganhou novo capítulo em 27 de abril de 2026 após o ex-prefeito Gilberto Kassab afirmar que será contrário à iniciativa caso haja qualquer impacto sobre a Lei Cidade Limpa.
A declaração foi feita durante o 8º Fórum Paulista de Desenvolvimento, realizado na cidade de Itu, e reforça a tensão em torno do projeto conhecido como Boulevard São João, apelidado de Times Square paulistana.
Projeto prevê telões e investimento milionário na região central
O plano aprovado pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) autoriza a instalação de quatro grandes painéis de LED em edifícios localizados no eixo das avenidas São João e Ipiranga.
O investimento total previsto é de aproximadamente R$ 44 milhões no primeiro ano, além de cerca de R$ 4,7 milhões no segundo e terceiro anos. A maior parte dos recursos, cerca de R$ 39 milhões, será destinada à implantação das estruturas dos telões.
- Quatro painéis de LED em prédios estratégicos
- Exibição com limite de até 30% de publicidade
- 70% do conteúdo voltado a cultura e utilidade pública
A operação será financiada pela iniciativa privada, por meio da empresa FDB Digital Participações Ltda, ligada ao grupo Fábrica de Bares.
Lei Cidade Limpa é ponto central da discussão
Criada em 2006 durante a gestão de Kassab na prefeitura, a Lei Cidade Limpa estabeleceu restrições rigorosas à publicidade externa, reduzindo significativamente a poluição visual na capital paulista.
Abalar a Lei Cidade Limpa é uma forma de desrespeito com milhões de paulistanos que abraçaram e respeitam a lei
O ex-prefeito afirmou que o apoio ao projeto está condicionado à manutenção integral das regras. Caso contrário, declarou que atuará para impedir a implementação.
Diferença entre projeto aprovado e divulgação nas redes sociais
A proposta ganhou visibilidade após a divulgação de um vídeo com imagens geradas por inteligência artificial, publicado nas redes sociais pelo governador Tarcísio de Freitas. O material apresenta uma versão ampliada do conceito, com fachadas inteiras cobertas por anúncios luminosos.
No entanto, o projeto aprovado prevê uma escala mais restrita, com apenas quatro telões e uma projeção adicional em fachada histórica, respeitando limites técnicos definidos pela CPPU.
Regras operacionais e restrições de funcionamento
O funcionamento dos painéis será submetido a uma série de regras estabelecidas pelos órgãos municipais, incluindo controle de luminosidade e horários.
- Funcionamento das 5h às 23h
- Redução de brilho no período noturno
- Proibição de animações rápidas ou efeitos que simulem movimento
- Tempo mínimo de 10 segundos por imagem exibida
Além disso, conteúdos políticos, religiosos, de apostas ou com teor adulto estarão proibidos nos telões.
Contrapartidas incluem melhorias urbanas no entorno
Como parte do acordo, a empresa responsável deverá investir cerca de R$ 8 milhões em intervenções urbanas em uma área de 42 mil metros quadrados, abrangendo o Largo do Paissandu e a Praça Júlio de Mesquita.
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Entre as ações previstas estão restauração de monumentos, instalação de mobiliário urbano e projetos de arborização, além de oficinas voltadas à preservação do patrimônio cultural.
| Item | Valor estimado |
| Instalação dos telões | R$ 39 milhões |
| Melhorias urbanas | R$ 8 milhões |
| Total inicial | R$ 44 milhões |
A previsão é que o boulevard comece a operar em setembro de 2026, com possibilidade de eventos culturais e interdição parcial do trânsito nos fins de semana.
Segundo o G1, o avanço do projeto depende agora da compatibilização entre as regras da Lei Cidade Limpa e os interesses de revitalização do Centro, em um cenário que ainda está em discussão nos órgãos municipais e entre lideranças políticas.

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