Homem que ameaçou motociclista com um faca em briga de trânsito acaba morto pela PM em São Paulo, no Jardim Pirituba, Zona Norte da capital
Homem de 45 anos morreu após ser baleado por policiais na Zona Norte de SP; câmeras corporais e de segurança são analisadas em investigação.
Um homem de 45 anos morreu após ser baleado durante uma ocorrência policial na Zona Norte de São Paulo, em um caso que passou a ser investigado a partir de imagens de câmeras corporais e de segurança. A ação ocorreu em 29 de abril, no Jardim Pirituba, depois de uma briga de trânsito na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães.
Segundo a reportagem que teve acesso às imagens, o caso começou quando o homem dirigia pela avenida e parou em um semáforo vermelho. Ele desceu do carro com uma faca na mão e correu em direção a um motociclista que também aguardava no farol. Testemunhas relataram que a situação ocorreu após uma discussão no trânsito.
O motociclista procurou ajuda em um posto de combustíveis próximo, onde uma viatura da Polícia Militar estava estacionada. Dois policiais foram acionados e seguiram em direção ao homem. A partir desse ponto, as imagens passaram a ser usadas para confrontar versões apresentadas sobre a ocorrência.
O que aparece nas imagens
A câmera corporal de um dos agentes registrou uma frase dita segundos antes dos disparos. De acordo com a reportagem, o policial afirmou que iria atirar antes de sair da viatura. Na sequência, foram feitos sete disparos no total, sendo seis por um policial e um por outro.
Imagens de uma câmera de segurança divulgadas anteriormente mostram o homem no momento em que colocava a faca no chão. A família afirma que esse trecho indica tentativa de rendição. A versão registrada inicialmente pelos policiais na delegacia, porém, apontava que o homem teria avançado contra o motociclista e também contra a equipe policial com a faca, motivo apresentado para os tiros.
O boletim de ocorrência informa que o homem foi atingido por quatro disparos, dois na região inferior direita do corpo, um no flanco direito e outro no flanco esquerdo. Ele morreu no local.
Após os tiros, houve tentativa de reanimação
Depois dos disparos, outras equipes da Polícia Militar chegaram ao ponto da ocorrência e iniciaram manobras de reanimação. As imagens também mostram um dos policiais pedindo para que o homem sobrevivesse enquanto o atendimento era feito.
Em outro momento, o agente aparece próximo à viatura e faz uma oração por cerca de 20 segundos. A câmera corporal também registrou uma mensagem de áudio enviada por ele à esposa, na qual dizia não poder falar naquele momento porque havia acabado de disparar contra uma pessoa e aguardava socorro.
O contraste entre o momento anterior aos tiros, a tentativa de reanimação e a versão dada na delegacia passou a ser um dos pontos centrais da apuração. O caso envolve tanto a análise do que foi registrado pelas câmeras quanto a reconstrução da dinâmica da ocorrência.
Família citou uso de medicamentos controlados
Familiares informaram que o homem fazia uso de medicamentos controlados para tratar esquizofrenia. Ele trabalhava como eletricista, encanador e fazia serviços de manutenção em geral.
A informação sobre o tratamento médico foi citada pela família no contexto da ocorrência, mas a investigação ainda deve apurar a conduta de todos os envolvidos, a sequência dos fatos e se os protocolos de abordagem foram cumpridos.
Policiais foram afastados e caso é investigado
Os dois policiais envolvidos foram afastados do serviço operacional. A Secretaria da Segurança Pública informou que há um inquérito policial militar instaurado no 18º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, com acompanhamento da Corregedoria.
O caso também é apurado pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa, responsável por investigar mortes violentas e situações que exigem análise mais aprofundada sobre a autoria e a dinâmica dos fatos.
A Secretaria da Segurança Pública informou que a Polícia Militar não compactua com excessos e desvios de conduta por parte de seus agentes e que todas as imagens relacionadas à ocorrência, incluindo as captadas pelas câmeras corporais, são analisadas para adoção das medidas cabíveis.
Segundo o G1, até a última atualização da reportagem original, as defesas dos policiais não haviam sido localizadas. A apuração segue com análise das imagens, do boletim de ocorrência, dos depoimentos e dos procedimentos internos abertos para examinar a ação policial.

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