Google já está substituindo tarefas humanas? Executiva Milena Leal revela como empresas brasileiras entraram na “era agêntica”
A inteligência artificial corporativa entrou em uma nova fase dentro das empresas brasileiras. O Google Cloud passou a defender a chamada “era agêntica”, modelo em que sistemas de IA deixam de funcionar apenas como assistentes de texto para assumir tarefas contínuas, acessar bancos de dados, automatizar processos e operar junto das equipes em tempo real.
A disputa pela próxima geração da inteligência artificial corporativa ganhou uma nova expressão dentro do Google Cloud: “era agêntica”. O conceito dominou o Google Cloud Next ’26 e marca uma mudança na forma como empresas começam a utilizar IA dentro das operações diárias.
Segundo Milena Leal, presidente do Google Cloud Brasil desde o início de 2026, a tecnologia deixou de funcionar apenas como ferramenta de apoio e passou a assumir processos completos dentro das companhias.
“Já não estamos falando de chatbots. Estamos falando de agentes que conseguem executar processos completos, tomar decisões e operar junto das equipes”, afirmou a executiva durante apresentação do evento.
A estratégia do Google envolve integrar modelos de inteligência artificial, infraestrutura, dados e segurança dentro de uma única arquitetura. A companhia trabalha para transformar agentes autônomos em uma nova camada operacional dentro das empresas.
Google quer colocar agentes de IA diretamente no fluxo de trabalho
A principal aposta da companhia hoje está no Gemini Enterprise, plataforma criada para inserir agentes de inteligência artificial diretamente no cotidiano corporativo.
Segundo o Google, esses agentes conseguem acessar sistemas empresariais, cruzar bancos de dados, automatizar tarefas repetitivas e responder demandas praticamente em tempo real.
Entre as ferramentas apresentadas está o Agent Designer, sistema voltado para criação de agentes de longa duração capazes de executar tarefas complexas sem necessidade de comandos constantes.
Outra novidade apresentada foi o Inbox e Skills, ambiente criado para gerenciamento de tarefas automatizadas e configuração de atalhos operacionais.
“A discussão agora não é mais se as empresas vão usar IA. A discussão é como elas vão operar com agentes dentro do negócio”, afirmou Milena Leal.
O Google também lançou o Canvas, espaço integrado para produção e edição de arquivos sem troca de aplicativos. Segundo a executiva, a ideia é simplificar o uso dos agentes para funcionários de diferentes áreas.
Infraestrutura virou centro da disputa entre gigantes da IA
A expansão dos agentes depende de capacidade massiva de processamento de dados. Para sustentar essa estrutura, o Google apresentou o Agentic Data Cloud, infraestrutura desenvolvida para alimentar sistemas autônomos com dados corporativos.
Dentro desse ambiente surgiu o Deep Research Agent, descrito pela empresa como um “analista autônomo” capaz de cruzar documentos empresariais e bancos de dados estruturados para responder perguntas complexas utilizando citações exatas.
A empresa também colocou a infraestrutura como diferencial estratégico da disputa global de IA.
Segundo Milena Leal, o Google tenta usar integração vertical como vantagem competitiva.
“O cliente quer velocidade, mas quer governança desde a origem.”
A companhia afirma que controla toda a cadeia tecnológica, desde chips até aplicativos e modelos de IA.
Google revela números da nova corrida da inteligência artificial
Os números apresentados durante o evento mostram a escala da operação atual do Google Cloud.
- 330 clientes processaram mais de 1 trilhão de tokens nos últimos 12 meses
- 35 clientes ultrapassaram 10 trilhões de tokens
- Os modelos do Google processam mais de 16 bilhões de tokens por minuto via API
- 75% do código interno do Google já é gerado por inteligência artificial
Durante o Google Cloud Next ’26, a companhia também anunciou os novos chips TPU 8t e TPU 8i, desenvolvidos especificamente para inteligência artificial.
Segundo o Google, o TPU 8t reduz o treinamento de modelos complexos de meses para semanas. Já o TPU 8i foi criado para coordenar milhões de agentes simultaneamente em tempo real.
Empresas brasileiras já utilizam agentes autônomos
O Brasil aparece como um dos mercados utilizados pelo Google para demonstrar aplicações práticas da nova geração de IA corporativa.
A Casas Bahia integrou a ferramenta Nano Banana ao Vertex AI para automatizar a edição do catálogo digital e criar ambientes virtuais. Segundo a empresa, o processo elevou em 60% a finalização de vendas.
A Jusbrasil lançou a plataforma Jus IA utilizando mais de 7 bilhões de documentos jurídicos. Atualmente, mais de 300 mil usuários utilizam a ferramenta mensalmente.
Já a CERC utiliza Cloud Spanner e BigQuery para processar mais de 500 milhões de transações diárias, com foco em detecção de fraudes e análise de riscos financeiros.
Segundo o Forbes, o Google também anunciou o Agentic Defense, plataforma de segurança que combina inteligência de ameaças da companhia com tecnologia da Wiz para prevenção de ataques cibernéticos e monitoramento automatizado de riscos dentro das operações empresariais.
Leia mais em Negócios
Negócios digitais em alta: os modelos simples que começaram pequenos e agora movimentam renda mensal
Últimas novidades
Itapevi vai entregar kit enxoval para gestantes: Novo programa já tem regras e prazo para participar



















