Gavião Peixoto: cidade de São Paulo com maior qualidade de vida tem pista da Embraer, coxinha gigante e quase nenhuma evasão escolar
Gavião Peixoto liderou o IPS 2026 com nota 73,1, impulsionada por renda elevada, educação quase sem evasão e forte presença da Embraer.
Gavião Peixoto, município localizado na região de Araraquara, no interior de São Paulo, voltou a ocupar o topo do Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026 e foi apontada mais uma vez como a cidade com melhor qualidade de vida do país. Com nota 73,1 em uma escala de 0 a 100, o município manteve a liderança nacional pelo terceiro ano consecutivo em um levantamento que avaliou os 5.570 municípios brasileiros a partir de 57 indicadores sociais e ambientais.
A cidade tem menos de 5 mil habitantes, mas aparece à frente de grandes centros urbanos ao reunir indicadores elevados de educação, infraestrutura urbana, saneamento, renda e acesso a serviços públicos. O levantamento considera fatores ligados a necessidades humanas básicas, oportunidades e bem-estar, incluindo segurança, moradia, saúde, educação e inclusão social.
Município tem uma das maiores rendas per capita do país
Parte do desempenho econômico de Gavião Peixoto está ligada diretamente à presença da Embraer, instalada no município desde 2001. A fábrica produz aeronaves militares e componentes civis e abriga uma das estruturas mais estratégicas da indústria aeronáutica brasileira.
Segundo dados do IBGE referentes a 2023, o PIB per capita da cidade chegou a R$ 369.126,50 por morador, colocando o município na 11ª posição nacional. O salário médio dos trabalhadores formais também chama atenção e supera 5 salários mínimos.
A unidade da Embraer em Gavião Peixoto possui a maior pista de pouso e decolagem do Hemisfério Sul, com 5 mil metros de extensão. O complexo concentra projetos militares considerados estratégicos para a indústria brasileira, como o cargueiro KC-390 Millennium, o caça Gripen desenvolvido em parceria com a sueca Saab e o avião de treinamento A-29 Super Tucano.
O município reúne indicadores elevados de renda, infraestrutura e acesso a serviços públicos em uma escala incomum para cidades pequenas do interior brasileiro.
Educação sem fila e evasão escolar praticamente zerada
Outro ponto decisivo para a liderança no ranking foi o desempenho educacional. Dados do IBGE mostram que 98,6% das crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos estão matriculados nas escolas locais.
A prefeitura afirma que não existe fila de espera por vagas na rede municipal e que os índices de evasão escolar são praticamente inexistentes. O município possui duas unidades municipais de educação infantil e escolas voltadas aos anos iniciais e finais do ensino fundamental.
O IPS também levou em consideração indicadores ligados ao acesso à educação básica e oportunidades futuras para a população. O Ideb da rede pública municipal atingiu 6,8 nos anos iniciais do ensino fundamental.
Cidade chama atenção por curiosidades improváveis
Apesar dos indicadores elevados, Gavião Peixoto também ficou conhecida por características incomuns para um município que lidera rankings nacionais. A cidade não possui maternidade própria. Os partos das famílias locais são realizados em Araraquara, distante cerca de 30 quilômetros, embora os bebês sejam registrados oficialmente como naturais de Gavião Peixoto.
Outro símbolo local virou atração regional nos últimos anos. No bairro Nova Pauliceia, um pequeno comércio ficou conhecido pelas chamadas coxinhas gigantes, que chegam a pesar 450 gramas e atraem visitantes de várias cidades do interior paulista. Entre os sabores mais procurados estão carne seca, costela e frango com requeijão.
Interior paulista domina ranking nacional
O levantamento do IPS Brasil mostra predominância de municípios paulistas entre os melhores desempenhos nacionais. Das dez cidades mais bem avaliadas do país, cinco ficam em São Paulo.
- Gavião Peixoto (SP) — 73,10
- Jundiaí (SP) — 71,80
- Osvaldo Cruz (SP) — 71,76
- Pompéia (SP) — 71,76
- Curitiba (PR) — 71,29
Entre as capitais brasileiras, Curitiba apareceu na liderança, seguida por Brasília, São Paulo, Campo Grande e Belo Horizonte.
Segundo o G1, na outra ponta do ranking nacional, Uiramutã, em Roraima, teve o pior desempenho do país com nota 42,44. O município apresenta baixa renda média, infraestrutura limitada e acesso reduzido a saneamento básico. Segundo o levantamento, apenas 0,16% da população possui esgotamento sanitário adequado.
O IPS Brasil 2026 aponta que os melhores indicadores continuam concentrados principalmente em cidades médias e pequenas do Sudeste e Sul do país, enquanto os piores desempenhos permanecem concentrados em regiões afastadas do Norte e Nordeste brasileiro.
Leia mais em Cidades
Últimas novidades



















