Favela do Moinho chega a 96% de desocupação e governo detalha destino da área no centro de São Paulo
A desocupação da Favela do Moinho, no centro de São Paulo, atinge 96% após um ano, com mais de 800 famílias reassentadas e novas intervenções urbanas previstas para a área.
O processo de desocupação da Favela do Moinho, localizada na região central de São Paulo, completou um ano em abril de 2026 com 96% das famílias já reassentadas. Mais de 800 núcleos familiares deixaram a área, considerada uma das últimas ocupações desse porte no centro da capital.
A operação, conduzida pelo Governo de São Paulo, incluiu 920 mudanças organizadas e assistência direta às famílias, que passaram a viver em moradias com estrutura regularizada e segurança jurídica. Restam menos de 40 imóveis ocupados, aguardando a conclusão da etapa final do reassentamento.
Condições da área e histórico de risco
A Favela do Moinho era marcada por alta densidade populacional, construções precárias e localização entre duas linhas de trem, com apenas uma via de acesso. O cenário incluía riscos recorrentes de incêndio e presença de animais como ratos e escorpiões.
A área também enfrentava atuação constante do crime organizado, o que impactava diretamente a rotina e a mobilidade dos moradores.
A combinação desses fatores levou à implementação do projeto, que priorizou a retirada das famílias de áreas consideradas insalubres e com elevado risco estrutural.
Atendimento e adesão das famílias
O processo de reassentamento foi baseado em cadastramento detalhado e atendimento individualizado. Entre outubro e novembro de 2024, as famílias foram mapeadas para garantir transparência na seleção e nas opções habitacionais.
Um escritório da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano foi instalado na Rua Barão de Limeira em janeiro de 2025, concentrando mais de 3 mil atendimentos antes do início das mudanças e totalizando cerca de 10 mil atendimentos ao longo de um ano.
- Mais de 3 mil entrevistas realizadas
- Cerca de 10 mil atendimentos registrados
- Média de 12 atendimentos por família
- Escolha de moradia pelos beneficiados
A adesão ao programa foi considerada elevada desde as primeiras semanas. Em 07/05/2025, mais de 100 famílias já haviam sido transferidas, número que ultrapassou 440 em cerca de dois meses.
Alternativas de moradia e apoio financeiro
Para viabilizar o reassentamento, foram disponibilizadas aproximadamente 1,5 mil unidades habitacionais, sendo mais de mil localizadas na região central. As famílias também puderam optar por imóveis em qualquer município do estado, dentro do limite de R$ 250 mil.
Famílias com renda mensal de até R$ 4,7 mil receberam imóveis sem custo. Para aquelas que escolheram unidades ainda em construção, foram concedidos R$ 2,4 mil de caução inicial e auxílio-moradia de R$ 1,2 mil mensais até a entrega das chaves.
| Benefício | Valor |
| Valor máximo do imóvel | R$ 250 mil |
| Caução inicial | R$ 2,4 mil |
| Auxílio-moradia mensal | R$ 1,2 mil |
Além disso, 72 indenizações foram pagas a comerciantes afetados, sendo que 22 também receberam atendimento habitacional.
Demolições e requalificação da área
Com o avanço das mudanças, os imóveis desocupados passaram por etapas de segurança que incluíram bloqueio de acessos, retirada de estruturas e posterior demolição. Até o momento, 738 construções foram demolidas.
A remoção das estruturas visa evitar reocupações e garantir condições para as próximas intervenções urbanas. A área será destinada a uso público, com previsão de implantação de um parque urbano e uma nova estação de trem.
O acompanhamento das famílias restantes segue em andamento, com 29 núcleos ainda aguardando atendimento por meio da Caixa Econômica Federal, responsável pela operacionalização de parte das indenizações vinculadas ao governo federal.
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