Ela achou que era dor pós treino de academia, mas situação escondia um câncer de ovário avançado

Mulher de 46 anos descobriu câncer de ovário avançado após derrame pleural e sintomas confundidos com lesão muscular.

Saúde e Bem-Estar
Publicado por em 11/05/2026
Ela achou que era dor  pós treino de academia, mas situação escondia um câncer de ovário avançado

O câncer de ovário costuma evoluir de forma silenciosa e sem sintomas claros nas fases iniciais, o que frequentemente atrasa o diagnóstico. Em São Paulo, a gerente comercial Ana Prado, de 46 anos, descobriu a doença após procurar atendimento médico por dores nas costas que pareciam consequência da rotina intensa de exercícios físicos.

Ativa, com hábitos considerados saudáveis e frequentando academia diariamente, ela acreditou inicialmente que tivesse exagerado em algum treino. As dores começaram no início de abril de 2024 e, segundo ela, pareciam compatíveis com uma contusão muscular comum.

Após procurar um ortopedista, recebeu diagnóstico de lesão muscular e iniciou tratamento medicamentoso. O quadro, porém, não apresentou melhora. Dias depois, durante uma caminhada curta, Ana começou a sentir falta de ar intensa e um cansaço fora do padrão.

A piora levou a uma consulta por telemedicina. Durante o atendimento, a médica orientou que ela procurasse imediatamente um pronto-socorro diante da suspeita de derrame pleural, condição caracterizada pelo acúmulo de líquido no pulmão.

Os exames confirmaram a suspeita. Em um procedimento cirúrgico, foram retirados aproximadamente 3,5 litros de líquido da região pulmonar.

“O médico disse que não entendia como eu tinha conseguido suportar aquilo”, relatou Ana ao lembrar da internação.

Até aquele momento, não havia suspeita de câncer. A confirmação surgiu dias depois, após a análise laboratorial do material coletado durante o procedimento.

Diagnóstico surpreendeu médicos e família

Ana conta que leu o resultado do exame ainda antes da consulta médica definitiva. No laudo, apareceu o termo carcinoma de ovário. A descoberta causou surpresa porque os sintomas iniciais não indicavam diretamente um problema ginecológico.

Segundo a oncologista Débora Dornellas, do Einstein Hospital Israelita, esse tipo de situação é comum em casos de câncer de ovário diagnosticados tardiamente.

A médica explica que a doença não possui um método eficiente de rastreamento populacional e costuma apresentar sinais inespecíficos, frequentemente confundidos com alterações gastrointestinais ou desconfortos cotidianos.

  • Dor abdominal persistente pode exigir investigação médica
  • Sensação de estufamento frequente não deve ser ignorada
  • Aumento do volume abdominal pode ser um sinal de alerta
  • Cansaço extremo e falta de ar podem aparecer em casos avançados

O câncer de ovário é considerado um dos tumores ginecológicos mais difíceis de detectar precocemente justamente porque os sintomas surgem de maneira discreta e muitas vezes fora da região abdominal.

Atividade física foi mantida durante tratamento

Após o diagnóstico, o tratamento começou rapidamente. O protocolo incluiu seis ciclos de quimioterapia, além de cirurgia para retirada dos ovários, trompas e útero.

Mesmo durante o tratamento, Ana decidiu manter parte da rotina. Continuou trabalhando em home office e tentou preservar as atividades físicas sempre que o estado clínico permitia.

Ela afirma que os períodos de maior desconforto coincidiam justamente com os momentos em que ficava parada. A dança e a academia passaram a funcionar também como apoio emocional durante a recuperação.

“A dança virou uma terapia. Mesmo sem conseguir acompanhar tudo, só de estar ali eu já me sentia melhor”, contou.

Segundo a oncologista, há evidências científicas de que a atividade física pode ajudar pacientes oncológicos ao reduzir fadiga, melhorar qualidade de vida e auxiliar na recuperação funcional durante o tratamento.

Hoje, Ana segue em tratamento de manutenção e retomou grande parte da rotina anterior ao diagnóstico. O acompanhamento médico continua de forma periódica enquanto ela permanece sob observação clínica para monitoramento da doença, revelou o Metropoles.

Alan Correa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.

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