El Niño virou Super El Niño? Relatório dos EUA revela risco que pode mudar o clima em 2026
A NOAA confirmou o início do El Niño e aponta 63% de chance de o fenômeno se tornar muito forte, com efeitos sobre calor, chuvas, secas e economia global.
O El Niño começou oficialmente e já acendeu um alerta entre meteorologistas pela possibilidade de se transformar em um evento muito forte nos próximos meses. Segundo relatório divulgado pela NOAA, agência oceânica e atmosférica dos Estados Unidos, há 63% de chance de o fenômeno atingir intensidade conhecida popularmente como Super El Niño.
O fenômeno ocorre quando as águas do Pacífico tropical central e oriental ficam excepcionalmente quentes, alterando ventos, correntes oceânicas e padrões de chuva em diferentes partes do planeta. Não se trata de uma mudança localizada no oceano, mas de um rearranjo climático capaz de influenciar secas, enchentes, ondas de calor, furacões e temperaturas médias globais.
Por que este El Niño preocupa

O Centro de Previsão Climática da NOAA atribui 100% de probabilidade de o El Niño continuar durante o outono do Hemisfério Norte e chances extremamente altas de persistência durante o inverno.
Para ser classificado como Super El Niño, o aquecimento das águas no Pacífico tropical precisa ficar mais de 2 graus acima da média. De acordo com o relatório, modelos computacionais considerados confiáveis indicam que esse limite pode ser ultrapassado.
Nos últimos meses, grandes volumes de água muito quente se deslocaram do Pacífico ocidental para o Pacífico tropical oriental, impulsionados pela mudança nos ventos. Essa massa quente avançou entre 180 e 300 metros abaixo da superfície e começou a emergir mais perto da América do Sul, dinâmica observada em eventos intensos do passado.
Eventos fortes são raros
Super El Niños não ocorrem com frequência. Os exemplos recentes mais marcantes aconteceram em 2015-16, 1997-98 e 1982-83.
O relatório cita que este evento pode figurar entre os maiores El Niños registrados desde 1950, período usado como referência histórica para monitoramento climático.
- A NOAA confirmou o início oficial do El Niño.
- A chance de evento muito forte é de 63%.
- A continuidade no outono é considerada certa pelo órgão.
- Modelos indicam aquecimento acima de 2 graus no Pacífico tropical.
- O fenômeno pode elevar ainda mais a temperatura média global.
Como o fenômeno pode afetar o Brasil e a América do Sul
Na América do Sul, o El Niño costuma aumentar a probabilidade de chuvas mais intensas em parte do sudeste do continente. Já o sudeste do Brasil tende a registrar temperaturas acima da média.
Uma faixa do norte da América do Sul, alcançando áreas da América Central, costuma ficar mais seca entre julho e dezembro. O noroeste sul-americano, incluindo o Peru, pode sofrer com chuvas fortes entre janeiro e maio devido à proximidade com águas oceânicas excepcionalmente aquecidas.
| Região | Efeito associado ao El Niño |
|---|---|
| Sudeste do Brasil | Temperaturas acima da média |
| Norte da América do Sul | Tempo mais seco entre julho e dezembro |
| Peru e noroeste sul-americano | Maior risco de chuvas intensas entre janeiro e maio |
| Austrália e Indonésia | Secas, calor e risco de incêndios florestais |
| Oceanos tropicais | Ondas de calor marinhas e branqueamento de corais |
Calor global aumenta incerteza dos impactos
O El Niño também transfere grande quantidade de energia térmica do oceano para a atmosfera. Por isso, tende a elevar a temperatura média global além da tendência de aquecimento já provocada pela poluição dos combustíveis fósseis.
O relatório aponta que esse cenário praticamente garante que 2027 supere 2024 como o ano mais quente já registrado no planeta.
Nunca houve um El Niño, muito menos um Super El Niño, em um planeta com temperatura de fundo tão alta quanto a atual.
Essa condição torna os impactos mais incertos. Mesmo quando são muito fortes, eventos de El Niño não seguem exatamente o mesmo padrão em todas as regiões. A diferença agora é que o fenômeno se desenvolve sobre um clima já mais quente, o que pode intensificar extremos de calor, seca, chuva forte e perdas econômicas.
A NOAA seguirá monitorando o fenômeno pelo Índice Oceânico Niño, que mede a média móvel de três meses das anomalias da temperatura da superfície do mar na região do Pacífico usada como referência para acompanhar o El Niño.

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