Descarte de livros em Osasco vira alvo de investigação e expõe abandono de patrimônio cultural
O descarte de cerca de 40 mil livros da Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, em Osasco, colocou a cidade no centro de uma crise envolvendo patrimônio público, gestão cultural e possível dano coletivo. As imagens dos exemplares armazenados em sacos plásticos e caçambas provocaram reação imediata e abriram investigações formais para apurar responsabilidades e eventuais prejuízos irreversíveis.
A recuperação de aproximadamente 40 mil livros do acervo da Biblioteca Municipal Monteiro Lobato, realizada em 29 de abril de 2026, revelou um cenário de descarte inadequado que levou à abertura de investigações formais. Os exemplares foram localizados e armazenados no almoxarifado da Central de Educação de Osasco, após terem sido encontrados em condições consideradas impróprias.
A prefeitura contratou um instituto especializado para avaliar tecnicamente o estado das obras e determinar se há possibilidade de recuperação e preservação. O diagnóstico ainda não foi divulgado.
Imagens do descarte levantam suspeitas
Registros em vídeo mostram livros acondicionados em grandes sacos plásticos, alguns expostos a condições inadequadas. O material, que integra o acervo público, teria sido retirado da biblioteca sem explicação clara até o momento.
O motivo do descarte e a identificação dos responsáveis ainda não foram esclarecidos oficialmente.
Ministério Público apura possível dano ao patrimônio
O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito para investigar possível lesão ao patrimônio público e cultural. A apuração inclui:
- Verificação de perda irreparável de obras e documentos
- Análise de eventual dano moral coletivo
- Identificação de agentes públicos envolvidos
- Revisão de laudos técnicos que teriam embasado o descarte
Foram solicitados à prefeitura documentos que justifiquem a decisão, incluindo avaliações sanitárias, pareceres técnicos e estudos de conservação. Também foi requisitada a identificação de comissões ou órgãos que autorizaram a medida.
Biblioteca está fechada desde 2020
O espaço permanece fechado desde 2020, sob justificativa de reforma iniciada durante a pandemia. Desde então, não houve reabertura nem apresentação de cronograma público para retomada das atividades.
Segundo a CNN, antes disso, a biblioteca era considerada referência cultural na cidade. Inaugurada em sua sede própria em 28 de dezembro de 1996, chegou a receber cerca de mil visitantes por dia e mantinha um acervo de aproximadamente 27 mil obras, além de uma hemeroteca com registros históricos.
Passado contrasta com cenário atual
Nos anos 1990, o local reunia setores especializados, incluindo:
- Área infanto-juvenil com cerca de 3 mil livros
- Espaço dedicado a deficientes visuais
- Sala com mais de 4 mil obras em japonês
- Setor de restauração de acervo
A estrutura ocupava cerca de 1,8 mil metros quadrados e foi construída em parceria com a iniciativa privada, com obras concluídas em aproximadamente 90 dias.
Investigação segue sem conclusão
A prefeitura anunciou a abertura de sindicância interna para apurar responsabilidades administrativas. O Ministério Público segue aguardando documentos técnicos e justificativas formais para o descarte.
Enquanto isso, o acervo recuperado permanece sob análise, sem definição sobre quantos exemplares poderão ser restaurados ou reintegrados ao patrimônio público.
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