Calor extremo bate recordes globais e preocupa cientistas com futuro climático

Ondas de calor sem precedentes estão marcando o verão de 2025 no Hemisfério Norte e expondo a vulnerabilidade de sociedades inteiras diante das mudanças climáticas. Em junho, milhões de pessoas nos Estados Unidos enfrentaram temperaturas superiores a 40 °C, enquanto, no início de julho, a Europa foi atingida por um calor excepcionalmente antecipado, descrito por meteorologistas como fora dos padrões históricos.

Saúde e Bem-Estar
Publicado por Bianca Ludymila em 19/08/2025

Pontos Principais:

  • Ondas de calor recordes atingiram EUA e Europa em junho e julho de 2025.
  • Cientistas apontam que as mudanças climáticas já elevaram temperaturas em 4 °C.
  • Oceano absorveu 90% do calor, mas chega ao limite de capacidade.
  • Mortes por calor extremo já somaram milhares na Europa e América do Norte.
  • Soluções incluem adaptação urbana, horários flexíveis e energia limpa.

Segundo a equipe internacional World Weather Attribution, a análise mostra que o aquecimento global já elevou a temperatura média em cerca de 4 °C em determinadas regiões, tornando episódios de calor intenso mais prováveis e letais. O fenômeno está diretamente ligado à emissão de gases de efeito estufa, resultado do uso contínuo de carvão, petróleo e gás, que aprisionam calor na atmosfera e empurram o clima para cenários inéditos.

Mudanças climáticas elevam riscos de ondas de calor mortais.
Mudanças climáticas elevam riscos de ondas de calor mortais.

A dinâmica é agravada pela sobrecarga dos oceanos. Aproximadamente 90% do excesso de energia produzida pela atividade humana foi absorvida pelas águas do planeta, ajudando a moderar o avanço do aquecimento. Mas os registros mais recentes mostram que as temperaturas da superfície marinha atingiram níveis recordes, indicando que os mares podem estar próximos do limite de absorção, o que deixaria ainda mais calor retido no ar.

Embora o verão seja sinônimo de lazer em praias e parques, a ciência alerta que o calor extremo é um risco crescente à vida. A Nasa aponta que o estresse por calor duplicou nos últimos 40 anos, intensificado em regiões úmidas, onde a combinação de temperatura e umidade leva a valores de “bulbo úmido” superiores a 35 °C, ponto em que o corpo humano perde a capacidade de resfriamento natural. Nessas condições, a sobrevivência depende de resfriamento artificial imediato.

As consequências já são mensuráveis. Entre junho e julho, cerca de 2.300 pessoas morreram de causas ligadas ao calor em 12 cidades europeias, segundo pesquisas do Imperial College London e da London School of Hygiene and Tropical Medicine. Em 2022, até 61.000 mortes foram atribuídas às ondas de calor na Europa. Em 2021, o noroeste dos Estados Unidos e o Canadá registraram centenas de óbitos diante de uma onda considerada inédita.

O impacto do calor não se limita à saúde. Agricultores e trabalhadores da construção civil, entre outros, enfrentam dificuldades crescentes para manter a produtividade sob temperaturas elevadas. Economias locais sofrem com perdas diretas, enquanto incêndios florestais, secas e falta de água se multiplicam como efeitos indiretos do calor extremo.

Alguns pesquisadores sugerem nomear as ondas de calor, assim como ciclones tropicais, para facilitar a conscientização da população sobre a gravidade da ameaça. A Organização Meteorológica Mundial, no entanto, pondera que o fenômeno não apresenta as mesmas características de rastreabilidade que justificam essa prática em tempestades.

Entre as soluções possíveis, especialistas defendem mudanças de hábito e adaptações urbanas. A adoção de horários de trabalho e escolares em períodos mais frescos do dia, pausas regulares e acesso facilitado à água podem reduzir riscos. Medidas de baixo custo, como pintar telhados de branco, também estão sendo testadas para manter ambientes mais frescos.

No entanto, a expansão do uso de aparelhos de ar condicionado representa um dilema: salva vidas a curto prazo, mas aumenta o consumo de energia e, consequentemente, as emissões de carbono que alimentam o problema. Cientistas recomendam investimentos em soluções de resfriamento sustentáveis, apoiadas em energias renováveis como solar e eólica, para frear o ciclo vicioso.

A realidade é que ondas de calor não são mais exceção, mas parte de um padrão climático em transformação. A cada verão, novos recordes são quebrados, ampliando o risco de mortes, colapso de serviços básicos e impactos socioeconômicos. A urgência de adaptação e mitigação se torna evidente diante da constatação de que o planeta está em um “território desconhecido”, como descrevem os especialistas.

Fonte: CNN

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