BYD chama rivais de “híbrido fake” e dispara contra concorrentes; entenda a briga que está mexendo com o mercado

A BYD elevou o tom contra concorrentes ao questionar veículos híbridos leves vendidos no Brasil e defender regras mais rígidas para incentivos fiscais.

Negócios
Publicado por em 29/05/2026
BYD chama rivais de “híbrido fake” e dispara contra concorrentes; entenda a briga que está mexendo com o mercado

O avanço dos carros eletrificados no mercado brasileiro abriu uma disputa que vai além de preço, tecnologia e participação de mercado. O debate agora envolve a própria definição do que pode ou não ser considerado um veículo híbrido, tema que colocou a BYD no centro de uma nova controvérsia com fabricantes tradicionais.

A discussão ganhou força após declarações de Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD no Brasil, durante o lançamento do Sealion 7. Em conversa com jornalistas, o executivo criticou modelos equipados com sistemas híbridos leves, conhecidos pela sigla MHEV, e afirmou que parte da indústria estaria criando uma percepção equivocada sobre esse tipo de tecnologia.

Segundo Baldy, alguns veículos vendidos como híbridos não entregariam benefícios suficientes em desempenho energético, redução de emissões ou eficiência para serem enquadrados na mesma categoria de híbridos plenos ou híbridos plug-in, revelou o Estadao.

O centro da discussão

O mercado brasileiro vive um momento de expansão dos veículos eletrificados. Com isso, diferentes fabricantes passaram a adotar soluções variadas para reduzir consumo e emissões.

Entre elas estão os sistemas híbridos leves, que utilizam assistência elétrica para determinadas funções do veículo, mas sem capacidade de movimentar as rodas exclusivamente por meio do motor elétrico.

Foi justamente esse tipo de configuração que entrou na mira da BYD.

Ao defender regras mais rigorosas, Baldy afirmou que benefícios concedidos por políticas públicas deveriam considerar o nível efetivo de eletrificação oferecido por cada tecnologia.

A crítica envolve incentivos que existem em algumas regiões do país, incluindo descontos tributários e vantagens operacionais destinadas a veículos eletrificados.

Disputa vai além da tecnologia

As declarações acontecem em um momento de crescimento acelerado da fabricante chinesa no Brasil.

A empresa informou ter registrado expansão próxima de 90% no primeiro quadrimestre do ano e alcançado a liderança do varejo nacional em abril, com 14.911 unidades entregues nessa modalidade.

O resultado fortaleceu o posicionamento da operação brasileira dentro da estrutura global da companhia.

Segundo Baldy, o desempenho local ajuda a atrair atenção da matriz chinesa e aumenta a possibilidade de receber novos investimentos, produtos e expansão operacional.

A estratégia para os próximos meses inclui ampliação da rede de concessionárias, presença em novas cidades e lançamento de novos veículos para sustentar o crescimento.

Parceria com locadoras entra no radar

Além do varejo tradicional, a BYD também ampliou sua atuação junto ao mercado corporativo.

Um dos movimentos mais relevantes envolve a parceria anunciada com a Localiza, que prevê a negociação de 10 mil veículos elétricos e híbridos ao longo de até dois anos.

Para a fabricante, a associação da marca ao segmento de carros eletrificados facilita a entrada em grandes operações de locação e fortalece sua presença entre clientes corporativos.

Resposta à Volkswagen

As declarações também alcançaram outro tema que vem movimentando a indústria automotiva global: a ascensão das fabricantes chinesas.

Questionado sobre comentários feitos por Ciro Possobom, presidente da Volkswagen do Brasil, a respeito dos veículos chineses apresentados recentemente no mercado asiático, Baldy rebateu as observações e citou a postura adotada por Jim Farley, principal executivo global da Ford.

A referência foi usada para destacar elogios feitos anteriormente à evolução tecnológica das fabricantes chinesas, incluindo empresas como BYD e Xiaomi.

O episódio mostra que a disputa atual não está restrita aos números de vendas. O debate passou a envolver tecnologia, regulamentação, incentivos fiscais, posicionamento de mercado e influência sobre o futuro da eletrificação no Brasil.

Enquanto o mercado continua recebendo novos modelos elétricos, híbridos e híbridos plug-in, a discussão sobre quais tecnologias merecem incentivos e quais critérios devem definir um veículo eletrificado segue ganhando espaço entre montadoras, executivos e órgãos responsáveis por políticas públicas.

Alan Correa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.

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