Editorial – Até 300 milhões de empregos em risco: futuro do trabalho na era da inteligência artificial

Por Bia Ludymila (MTB 0081969/SP) - A aplicação cada vez mais frequente da inteligência artificial (IA) em produtos e serviços está transformando o mundo do trabalho. A IA está aumentando a produtividade, reduzindo custos, facilitando a tomada de decisões e automatizando rotinas administrativas. A influência dessa tecnologia já pode ser vista em várias áreas do cotidiano, como atendimento, mecanismos de busca, e-commerce, aplicativos para smartphones e veículos autônomos.

Tecnologia
Publicado por Bianca Ludymila em 20/06/2023
Editorial – Até 300 milhões de empregos em risco: futuro do trabalho na era da inteligência artificial

Por Bia Ludymila (MTB 0081969/SP) – A aplicação cada vez mais frequente da inteligência artificial (IA) em produtos e serviços está transformando o mundo do trabalho.

A IA está aumentando a produtividade, reduzindo custos, facilitando a tomada de decisões e automatizando rotinas administrativas. A influência dessa tecnologia já pode ser vista em várias áreas do cotidiano, como atendimento, mecanismos de busca, e-commerce, aplicativos para smartphones e veículos autônomos.

Com o avanço das ferramentas de IA generativa, como o ChatGPT, espera-se que seu protagonismo nas rotinas de trabalho seja ainda maior. Segundo economistas do banco de investimento Goldman Sachs, até 300 milhões de empregos em todo o mundo podem ser totalmente automatizados com a adoção da IA. Essa previsão está especialmente ancorada em atividades administrativas, que representam aproximadamente 18% do trabalho global.

Todavia, é importante ressaltar que essa análise subestima a importância da criatividade e da capacidade de inovação dos seres humanos responsáveis pela criação dessas tecnologias. Embora a incorporação da IA seja uma tendência irreversível para o futuro do trabalho, a abordagem óbvia para os negócios é utilizar os computadores para expandir a inteligência humana.

A Amplificação da Inteligência, também conhecida como Inteligência Ampliada, propõe o uso da tecnologia para potencializar a inteligência humana. Essa abordagem envolve a aplicação de tecnologias de automação e IA para aprimorar a produtividade humana e alcançar maior eficiência no trabalho. Trata-se de uma mudança de paradigma em que os seres humanos colaboram com máquinas inteligentes para realizar tarefas que antes eram demoradas, burocráticas ou ultrapassavam suas capacidades manuais.

  • A interação entre humanos e IA ocorre de maneira mutuamente complementar
    As habilidades sociais, de liderança, trabalho em equipe e criatividade das pessoas se unem à velocidade, escalabilidade, segurança e capacidades quantitativas da IA. O que é inato às pessoas, como a empatia, por exemplo, pode representar um desafio para as máquinas, enquanto tarefas que são simples para as máquinas, como analisar grandes volumes de dados em pouco tempo, são desafiadoras para nós.
  • A IA já está sendo utilizada em diversas áreas para expandir as habilidades humanas
    Na saúde, por exemplo, algoritmos de aprendizado de máquina analisam grandes volumes de dados médicos e identificam padrões que podem ser usados para detectar precocemente certas condições e recomendar o tratamento adequado. Os médicos se beneficiam dessa análise para confirmar ou refutar um diagnóstico e fornecer o melhor atendimento considerando os aspectos físicos e emocionais dos pacientes.

A amplificação da inteligência no trabalho é uma opção viável para diversas tarefas, especialmente aquelas realizadas no back office, como finanças, recursos humanos, compras e jurídico. Nessas áreas, onde há um grande volume de atividades manuais, como preenchimento de formulários, geração de relatórios, gerenciamento de dados e arquivos, e envio de e-mails, a automação pode executar grande parte dessas rotinas com pouca ou nenhuma intervenção humana. Isso permite que os profissionais dessas áreas se dediquem a tarefas mais complexas que exigem habilidades cognitivas e proporcionam um alto valor agregado.

À medida que a tecnologia avança, espera-se que a colaboração entre humanos e máquinas continue a evoluir, abrindo novas possibilidades. Com esforços estruturados para qualificar os profissionais e promover a integração entre humanos e máquinas, é possível vislumbrar um cenário de ganho mútuo. Os trabalhadores terão oportunidades de expandir suas habilidades, explorar novas carreiras e melhorar seu desempenho. Nesse ambiente, as ferramentas de IA continuarão sendo desenvolvidas para atender às necessidades da sociedade e transformar o futuro do trabalho.

Inteligência Artificial na Educação: Potencialidades e Preocupações

Qual será o impacto da inteligência artificial na educação? Será que ela empobrecerá ou enriquecerá o aprendizado? Substituirá ou potencializará o papel dos professores? Essas são questões que dependem da forma como encaramos e utilizamos efetivamente essa tecnologia.

A incorporação da inteligência artificial no ambiente de trabalho já é uma realidade, com exemplos como o uso de algoritmos de aprendizado de máquina na área da saúde, permitindo análise de dados médicos e detecção precoce de condições, proporcionando um atendimento mais eficiente e abrindo novas possibilidades.
A incorporação da inteligência artificial no ambiente de trabalho já é uma realidade, com exemplos como o uso de algoritmos de aprendizado de máquina na área da saúde, permitindo análise de dados médicos e detecção precoce de condições, proporcionando um atendimento mais eficiente e abrindo novas possibilidades.

A chegada do ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI com a tecnologia LLM, gerou desconfiança no meio acadêmico. As instituições de ensino nos Estados Unidos receberam a ferramenta com preocupação, devido aos possíveis riscos de plágio.

É verdade que alguns alunos começaram a utilizar o ChatGPT para escrever redações como se fossem de autoria própria, o que gerou preocupação. No entanto, devemos considerar as possibilidades de uso positivo. A internet se tornou uma enciclopédia interativa mais eficiente do que as tradicionais coleções do passado. Agora, imagine uma enciclopédia “viva” que cria conteúdo para responder às perguntas específicas dos alunos.

Além disso, a inteligência artificial poderia realizar diversas atividades administrativas dos professores, permitindo que eles dediquem seu tempo a atividades de maior valor para o ensino. No entanto, esse tema não é simples. Enquanto Bill Gates ressaltou os diversos usos positivos da tecnologia na educação, o historiador Yuval Harari levantou preocupações relevantes em relação a essa geração de inteligência artificial, chamando-a de “o sistema operacional da cultura humana”.

Também não podemos esquecer a preocupação de Elon Musk em relação à possibilidade de os robôs dominarem o mundo, levando a um “apocalipse da IA”. Durante o evento SXSW e o SXSW EDU deste ano, que abordaram amplamente o tema da inteligência artificial, foi adotada uma abordagem mais curiosa e produtiva em relação à IA, sem posicionamentos extremos.

No final das contas, o aluno que trapaceia usando o ChatGPT pode não ter chances no mercado de trabalho, enquanto aquele interessado terá acesso a um mundo infinito de conhecimento. O professor pode resistir a algo amparável ou adotar a ferramenta para seu benefício e o de seus alunos.

Como sociedade, devemos encarar a inteligência artificial com cautela, mas também com curiosidade, compreendendo seus riscos e oportunidades. É importante debater o tema de forma profunda e serena, estando abertos a uma tecnologia que pode impulsionar a humanidade como nenhuma outra, lembrando sempre que a inteligência humana está por trás da inteligência artificial.

A interação entre humanos e inteligência artificial de forma colaborativa está impulsionando a Amplificação da Inteligência, onde as habilidades sociais e criativas dos seres humanos se complementam com a velocidade, escalabilidade e capacidades quantitativas da IA.
A interação entre humanos e inteligência artificial de forma colaborativa está impulsionando a Amplificação da Inteligência, onde as habilidades sociais e criativas dos seres humanos se complementam com a velocidade, escalabilidade e capacidades quantitativas da IA.

Um olhar para além do hype do ChatGPT

Qual é o potencial transformador da inteligência artificial nos negócios?

Não se fala em outra coisa. A tecnologia de inteligência artificial ChatGPT, lançada recentemente pelo laboratório OpenAI, tornou-se assunto nas rodas de conversa dos mais diversos grupos e, mais do que isso, já vem causando um grande impacto em diversos setores de negócios.

O que é o ChatGPT?

Considerado por especialistas como uma das tecnologias mais disruptivas já criadas, o ChatGPT é capaz de emular a inteligência humana em diferentes contextos, como processamento de informações, análise de dados, atendimento ao cliente e assistência virtual.

Isso é possível, pois, com uso de machine learning, a ferramenta foi treinada a responder de forma autônoma aos questionamentos mais diversos, tendo como fonte uma extensa base de dados disponíveis na internet.

A tecnologia usa esses dados para gerar textos de alta qualidade e fornecer respostas precisas e coerentes, que parecem de fato terem sido escritas por um ser humano.

Quais os ganhos do ChatGPT para os negócios?

Uma história real ilustra bem a importância da tecnologia.

Imagine uma grande empresa de comércio eletrônico com milhões de usuários em todo o mundo. Quando um usuário faz uma solicitação de suporte, o ChatGPT pode rapidamente fornecer uma resposta adequada. Esse tipo de interação rápida e eficiente não só melhora a experiência do cliente como também ajuda a empresa a economizar tempo e dinheiro com processos manuais.

Mas ainda que o hype em torno do tema seja recente, o uso de IA para a automatização do atendimento e de processos de negócios já é uma realidade, com alto potencial de transformação pelos ganhos em eficiência, segurança e agilidade.

A adoção crescente da inteligência artificial em diversos setores promete revolucionar o futuro do trabalho, automatizando tarefas administrativas e ampliando a capacidade humana para decisões estratégicas e criativas.
A adoção crescente da inteligência artificial em diversos setores promete revolucionar o futuro do trabalho, automatizando tarefas administrativas e ampliando a capacidade humana para decisões estratégicas e criativas.

A combinação de tecnologias como inteligência artificial, hiperautomação e machine learning é capaz de reduzir, ou até mesmo eliminar, a necessidade de intervenção humana em atividades repetitivas e burocráticas.

O ChatGPT e o seu potencial de disrupção de modelos de negócios trás para a agenda sênior das empresas uma urgência em se falar de digitalização das operações. A corrida tecnológica tende a se acelerar e, com isso, entramos em uma nova fase da transformação digital, onde a combinação de tecnologias inteligentes, capazes de escalar atividades rotineiras, com o talento humano para lidar com nuances e complexidades, levarão as interações entre empresas e clientes a um novo patamar.

É importante considerar que, embora a ferramenta tenha uma série de benefícios, também desperta novas preocupações éticas e de privacidade em relação ao seu uso. A tecnologia pode cometer erros e fornecer respostas imprecisas e, além disso, o seu uso indevido é capaz de representar uma ameaça à privacidade dos usuários e à segurança dos dados.

Portanto, é importante que empresas que utilizam o ChatGPT ou tecnologias semelhantes estabeleçam protocolos seguros para proteger os usuários e garantir o seu uso responsável.

Por fim, é essencial lembrar que tecnologias de inteligência artificial devem ainda ser vistas como ferramentas complementares à habilidade humana e não como uma substituição completa. À medida que as empresas exploram o potencial do ChatGPT, novas aplicações surgirão e a tecnologia continuará evoluindo, otimizando funções existentes e abrindo espaço para novos jeitos de lidar com conteúdo, dados e interações digitais.

*Com informações de Exame: Texto1, Texto 2 e Texto 3.

Bianca Ludymila Peres Corrêa
Bianca Ludymila Peres Corrêa
Jornalista (MTB 0081969/SP) dedicada à cobertura de temas regionais e nacionais, atua com olhar atento ao cotidiano, política e sociedade. Produz conteúdo claro, informativo e relevante para diferentes públicos.

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