Morte de jovem após quase 10 meses de sequelas reforça alerta sobre intoxicação por metanol em São Paulo
Um jovem de 22 anos morreu após quase 10 meses enfrentando sequelas provocadas pela ingestão de bebida adulterada com metanol na Grande São Paulo.
A morte de Guilherme, de 22 anos, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, voltou a chamar atenção para os efeitos devastadores da intoxicação por metanol, substância presente em bebidas adulteradas investigadas por autoridades de saúde desde o ano passado. O jovem passou quase dez meses enfrentando complicações graves após ingerir uma bebida que, segundo relatos da família, teria sido adquirida em uma adega próxima de sua residência.
Guilherme morreu no domingo (14) após uma longa sequência de internações, tratamentos e limitações causadas pelas sequelas da intoxicação. O sepultamento ocorreu na segunda-feira (15).
Família transformou recuperação em diário público
Ao longo dos últimos meses, familiares passaram a compartilhar nas redes sociais registros da rotina de recuperação do jovem. As publicações mostravam fotografias anteriores à intoxicação, sessões de fisioterapia, momentos de reabilitação e episódios marcantes do tratamento.
Entre os registros que tiveram maior repercussão estava o dia em que Guilherme recebeu alta hospitalar. Profissionais da saúde formaram um corredor e o aplaudiram durante a saída da unidade, em uma cena divulgada pelos familiares.
Em abril deste ano, a família também compartilhou imagens do batismo do rapaz, realizado durante o período de recuperação.
Segundo relatos de pessoas próximas, o estado de saúde continuava bastante delicado.
Nos últimos dias, Guilherme estava internado e enfrentava complicações pulmonares. Ele utilizava alimentação por sonda, tomava diversos medicamentos diariamente e apresentava dificuldades para se comunicar.
O que aconteceu com Guilherme
De acordo com pessoas próximas, os primeiros sintomas surgiram após o consumo de uma garrafa de gin adquirida em agosto de 2025.
Pouco tempo depois, ele passou a relatar visão turva e embaçada. A situação evoluiu rapidamente e exigiu atendimento hospitalar. Durante o tratamento, sofreu diversas paradas cardíacas e permaneceu sob cuidados intensivos.
Antes da intoxicação, Guilherme trabalhava, tinha adquirido uma motocicleta com recursos próprios e sonhava seguir carreira na música. Também era pai de uma criança de dois anos.
Amigos relatam que ele participava frequentemente de partidas de futebol e era conhecido pela habilidade dentro de campo.
Metanol segue provocando mortes no estado
O caso ocorre em um cenário que continua sendo monitorado pelas autoridades sanitárias paulistas.
Segundo o boletim mais recente divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde, havia 54 casos confirmados de intoxicação por metanol desde 2025. O levantamento contabilizava 12 mortes antes da confirmação do falecimento de Guilherme.
- 54 casos confirmados de intoxicação por metanol;
- 12 mortes registradas no boletim estadual;
- Casos distribuídos em cidades da Grande São Paulo e interior;
- Investigações continuam em andamento.
O metanol é um álcool utilizado em processos industriais e produtos químicos. Quando ingerido, pode ser transformado pelo organismo em substâncias altamente tóxicas, capazes de atingir órgãos vitais e provocar danos neurológicos permanentes.
Entre as consequências mais graves estão cegueira, lesões cerebrais, insuficiência renal, insuficiência pulmonar, coma e morte.
Autoridades aguardam conclusão de análises
A Prefeitura de Itapecerica da Serra informou que o caso foi investigado quando ocorreu a intoxicação inicial. Em relação ao óbito, a administração municipal declarou que aguarda documentação oficial, incluindo laudos e declaração de óbito, para avaliar formalmente a relação entre a morte e o episódio registrado em 2025.
A Secretaria Estadual da Saúde também reforçou recomendações para que consumidores adquiram apenas bebidas de fabricantes regularizados, com identificação adequada, lacres e origem conhecida.
O Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo segue oferecendo suporte técnico para casos suspeitos por meio dos telefones (11) 5012-5311 e 0800 771 3733.
Enquanto a investigação sobre o nexo entre a morte e a intoxicação continua, autoridades sanitárias mantêm o monitoramento dos casos registrados em diferentes municípios paulistas e acompanham novas notificações relacionadas ao consumo de bebidas adulteradas.

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