Ibovespa hoje despenca após crise no Oriente Médio e petróleo dispara quase 7% nesta segunda 01/06/2026
O agravamento das tensões entre Irã e Estados Unidos derrubou o Ibovespa nesta segunda-feira, enquanto o petróleo avançou mais de 6%, impulsionando as ações da Petrobras.
O mercado financeiro iniciou junho sob forte influência do cenário internacional. A escalada das tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel provocou uma onda de cautela entre investidores e pressionou o Ibovespa, enquanto os preços do petróleo registraram uma das maiores altas diárias dos últimos meses.
Por volta do início da tarde desta segunda-feira, o principal índice da B3 recuava cerca de 0,75%, refletindo a busca global por proteção diante do aumento das incertezas geopolíticas. O movimento ocorreu após novos episódios militares envolvendo forças americanas e iranianas, além de ameaças relacionadas a importantes rotas estratégicas para o transporte mundial de petróleo.
Petróleo dispara com temor sobre oferta global
O principal impacto imediato foi observado no mercado de energia.
As preocupações com possíveis restrições à circulação de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do planeta para exportação da commodity, fizeram os contratos internacionais dispararem.
| Ativo | Variação |
|---|---|
| Petróleo Brent | +6,40% |
| Petróleo WTI | +7,29% |
| Ibovespa | -0,75% |
| Dólar | -0,35% |
A valorização do petróleo beneficiou diretamente as ações da Petrobras, uma das empresas com maior peso no índice brasileiro.
Os papéis ordinários da companhia avançaram cerca de 2,93%, enquanto as ações preferenciais registraram alta próxima de 2,17%.
Setores ligados ao consumo ficaram entre os mais pressionados
Apesar do desempenho positivo da Petrobras, diversos segmentos sensíveis aos juros registraram perdas.
A alta do petróleo reacendeu preocupações com a inflação global, cenário que pode dificultar cortes mais agressivos das taxas de juros em diferentes economias.
- C&A recuou 1,12%
- Magazine Luiza caiu 2,01%
- Vivara perdeu 2,11%
- Azzas recuou 1,19%
- MRV caiu 2,05%
- Cyrela recuou 1,60%
- Direcional perdeu 0,97%
- Cury caiu 1,10%
Entre as varejistas, a exceção ficou com a Lojas Renner, que apresentou desempenho positivo após receber melhora de recomendação por parte de analistas do mercado.
Dados econômicos também influenciaram o humor dos investidores

Além das preocupações externas, o mercado acompanhou indicadores relevantes divulgados no Brasil.
O Boletim Focus apresentou nova elevação nas expectativas para a inflação de 2026. A projeção mediana para o IPCA passou de 5,04% para 5,09%, permanecendo acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central.
Ao mesmo tempo, o PMI industrial brasileiro caiu de 52,6 pontos em abril para 49,1 pontos em maio.
Leituras abaixo de 50 pontos indicam retração da atividade econômica no setor industrial.
O resultado reforçou preocupações sobre a desaceleração da atividade produtiva e aumentou as dúvidas sobre o ritmo de crescimento da economia nos próximos meses.
Mercados internacionais tiveram comportamento misto
Nos Estados Unidos, os principais índices operaram sem direção única enquanto investidores avaliavam indicadores industriais e novos desdobramentos da crise no Oriente Médio.
O Dow Jones registrava leve queda, enquanto S&P 500 e Nasdaq operavam próximos da estabilidade em território positivo.
Na Europa, os dados industriais mostraram desaceleração da atividade na zona do euro. O PMI industrial recuou de 52,2 pontos em abril para 51,6 pontos em maio, indicando perda de ritmo em parte da economia europeia.
O movimento global ocorre em um momento em que investidores também acompanham os próximos passos do Federal Reserve, especialmente diante dos impactos que petróleo mais caro pode provocar sobre a inflação americana.
Junho começa cercado por incertezas
Após encerrar maio com perda acumulada superior a 7%, o Ibovespa inicia o novo mês enfrentando uma combinação de fatores de risco que inclui tensões geopolíticas, expectativas para juros, inflação elevada e o avanço do calendário eleitoral brasileiro.
Ao mesmo tempo, o mercado segue monitorando os efeitos do bloqueio adicional de gastos anunciado pelo governo federal e os próximos indicadores econômicos previstos para as próximas semanas, que devem influenciar as expectativas para a política monetária e o comportamento dos ativos domésticos.

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