Fiocruz em Brasília vai fabricar remédio de R$ 140 mil e plano pode mudar tratamento da esclerose no SUS

A Fiocruz anunciou a produção nacional da cladribina oral, medicamento usado contra esclerose múltipla que hoje custa quase R$ 140 mil por paciente em cinco anos. A medida deve reduzir despesas do SUS e ampliar o acesso ao tratamento para milhares de brasileiros com formas agressivas da doença.

Saúde e Bem-Estar
Publicado por em 22/05/2026
Fiocruz em Brasília vai fabricar remédio de R$ 140 mil e plano pode mudar tratamento da esclerose no SUS

A Fundação Oswaldo Cruz anunciou a nacionalização da produção da cladribina oral, medicamento usado no tratamento da esclerose múltipla remitente-recorrente altamente ativa. A medicação já integra a rede pública desde 2023, mas o custo elevado e a dependência de importação limitaram a expansão do tratamento em larga escala dentro do Sistema Único de Saúde.

Comercializado sob o nome Mavenclad, o remédio é indicado para pacientes que continuam apresentando surtos frequentes e progressão rápida da doença mesmo após o uso das terapias consideradas de base. Segundo dados apresentados pela Fiocruz, o tratamento completo pode custar quase R$ 140 mil por paciente em um período de cinco anos.

A estimativa é que cerca de 3,2 mil brasileiros convivam atualmente com formas altamente ativas da doença. No entanto, o número total de pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente no país ultrapassa 30 mil pessoas. Esse é o tipo mais comum da enfermidade e costuma ser marcado por crises neurológicas intercaladas por períodos de melhora parcial.

Produção nacional mira redução de custos e ampliação do acesso

A produção será realizada por Farmanguinhos, unidade da Fiocruz voltada ao desenvolvimento de medicamentos estratégicos para o SUS. O acordo envolve também a farmacêutica Merck, responsável pela fabricação internacional do Mavenclad, além da indústria química-farmacêutica Nortec.

Segundo a Fiocruz, a fabricação nacional deve reduzir o custo de aquisição do medicamento ao longo dos próximos anos, o que pode permitir ampliação do número de pacientes atendidos na rede pública.

A diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, afirmou que esse será o primeiro medicamento produzido pelo instituto voltado especificamente ao tratamento da esclerose múltipla.

“A parceria reafirma o compromisso com o fortalecimento do SUS e com o acesso a tratamentos inovadores produzidos em território nacional”

A esclerose múltipla é considerada uma doença crônica degenerativa que afeta o cérebro e a medula espinhal. A evolução varia de paciente para paciente. Em casos mais severos, pode provocar comprometimentos importantes, incluindo perda de mobilidade, alterações cognitivas, cegueira e paralisias.

Resultados clínicos ajudaram a impulsionar adoção do medicamento

A cladribina oral ganhou espaço internacional após estudos recentes apresentados no Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla, o ECTRIMS. Os dados mostraram redução de lesões neuronais em pacientes tratados ao longo de dois anos.

Outras pesquisas citadas pela Fiocruz apontaram que 81% dos pacientes tratados conseguiram permanecer andando sem apoio, enquanto mais da metade não precisou recorrer a novos medicamentos após o tratamento inicial.

O medicamento é considerado o primeiro tratamento oral de curta duração com eficácia prolongada no controle da doença, característica que levou sua inclusão na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde.

  • Medicamento: cladribina oral
  • Nome comercial: Mavenclad
  • Incorporação ao SUS: 2023
  • Custo estimado por paciente: quase R$ 140 mil em cinco anos
  • Pacientes com forma altamente ativa da doença: cerca de 3,2 mil
  • Total de brasileiros com EMRR: mais de 30 mil

Segundo a Agenciabrasil, além da cladribina, a Fiocruz informou que mantém outros dois acordos em andamento com a Merck. Um deles envolve a produção da betainterferona 1a, outra terapia voltada à esclerose múltipla. O segundo trata de um medicamento destinado ao combate da esquistossomose em crianças, projeto que ainda segue em fase de desenvolvimento conjunto entre as instituições.

Alan Correa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.

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