Grupo Mateus: Grupo gigante fecha 28 lojas, corta 6,6 mil empregos e revela mudança que já afeta o varejo no Brasil
O Grupo Mateus fechou 28 lojas e reduziu quase 14% do quadro de funcionários após rever operações em seis estados do Norte e Nordeste.
O Grupo Mateus, uma das maiores redes supermercadistas do país, iniciou um amplo processo de reorganização operacional que levou ao fechamento de 28 lojas e à demissão de aproximadamente 6,6 mil trabalhadores entre 2025 e o primeiro trimestre de 2026. A redução atingiu principalmente unidades localizadas nas regiões Norte e Nordeste, áreas historicamente ligadas ao crescimento da companhia.
A movimentação ocorreu mesmo diante de um cenário de faturamento elevado. Segundo os dados financeiros divulgados pela empresa ao mercado, a receita bruta consolidada alcançou R$ 43,5 bilhões em 2025. Já os balanços preliminares de 2026 apontaram lucro superior a R$ 2 bilhões no primeiro trimestre.
O corte representa uma redução de 13,9% na força de trabalho do grupo. O número total de funcionários caiu de 47,9 mil para cerca de 41,2 mil colaboradores em um intervalo de um ano.
Estados do Norte e Nordeste concentraram cortes
As demissões ocorreram principalmente em seis estados onde o Grupo Mateus mantém forte presença operacional.
- Maranhão
- Pará
- Piauí
- Ceará
- Sergipe
- Bahia
Em nota enviada ao mercado, a empresa afirmou que as medidas fazem parte de ajustes operacionais e de uma revisão interna baseada em desempenho das lojas, contratos e estruturas logísticas.
“As análises permitiram identificar distorções e oportunidades de otimização com impacto financeiro mensurável”, informou a companhia.
Nos bastidores do varejo, a leitura é de que o grupo entrou em uma nova etapa depois de anos marcados pela abertura acelerada de unidades. A prioridade deixou de ser expansão territorial e passou a ser rentabilidade operacional.
Pressão nos custos e concorrência mudaram cenário do setor
O setor supermercadista brasileiro atravessa um período de margens mais apertadas. Juros elevados, aumento dos custos logísticos e desaceleração no consumo passaram a pressionar grandes redes de atacarejo e hipermercados.
Ao mesmo tempo, a disputa entre gigantes nacionais se intensificou. O Grupo Mateus aparece atualmente entre os maiores varejistas do país no ranking da Abras, atrás apenas de Carrefour e Assaí Atacadista.
| Empresa | Faturamento |
|---|---|
| Carrefour | R$ 123,5 bilhões |
| Assaí Atacadista | R$ 84,7 bilhões |
| Grupo Mateus | R$ 43,5 bilhões |
Apesar dos cortes recentes, o cronograma de crescimento não foi oficialmente encerrado. A empresa informou que novos investimentos continuam em análise, mas sob critérios mais rígidos de retorno financeiro.
Rede nasceu de pequena mercearia no Maranhão
O fundador Ilson Mateus Rodrigues começou o negócio em 1986, na cidade de Balsas, no Maranhão. Antes disso, tentou trabalhar como garimpeiro em Serra Pelada, no Pará, mas abandonou a atividade sem sucesso financeiro.
A primeira operação era uma pequena mercearia voltada principalmente à venda de bebidas e produtos básicos. O crescimento ocorreu com a expansão para supermercados, atacarejo, hipermercados e centros de distribuição.
Hoje, o grupo controla diferentes bandeiras comerciais.
- Mix Mateus, atacarejo voltado a consumidores e comerciantes
- Mateus Supermercados, modelo tradicional de supermercados
- Camiño, lojas de vizinhança
- Spazio, segmento premium
- Eletro Mateus, voltada a eletrodomésticos e eletrônicos
- Armazém Mateus, operação de distribuição B2B
Segundo o Nsctotal, o movimento de fechamento de lojas ocorre em meio a uma mudança mais ampla no varejo alimentar brasileiro. Grandes grupos passaram a rever expansão física, contratos logísticos e custos operacionais depois da alta dos juros e da desaceleração do consumo registrada desde 2025.
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