Empresário começou com R$ 30 e hoje movimenta mais de R$ 100 milhões com obras no Brasil

Uma ideia nascida durante caminhadas por bairros cheios de obras virou uma operação que hoje monitora mais de 1 milhão de construções em todo o Brasil. Fundada por um empreendedor que começou sem carro, sem computador e com apenas R$ 30 no bolso, a Prospecta Obras se transformou em uma plataforma de inteligência para o setor da construção civil e já atende gigantes como Vivo e Gerdau.

Negócios
Publicado por em 7/05/2026
Empresário começou com R$ 30 e hoje movimenta mais de R$ 100 milhões com obras no Brasil

A construção civil brasileira movimenta centenas de bilhões de reais todos os anos, mas boa parte do mercado ainda opera de maneira tradicional. Foi justamente nessa lacuna que nasceu a Prospecta Obras, startup criada em 2008 em São José dos Campos, no interior paulista.

A empresa usa inteligência artificial para cruzar informações de prefeituras, projetos arquitetônicos, licenciamentos e registros públicos. A partir disso, entrega para empresas da construção civil listas detalhadas de obras em andamento ou em fase inicial de projeto.

Hoje, a plataforma monitora mais de 1 milhão de obras no país e atende desde pequenas lojas de materiais até grandes companhias nacionais.

Fundador começou trabalhando em fábrica aos 13 anos

A origem da empresa começou muito antes da criação oficial da startup. Wanderson Leite tinha 13 anos quando trabalhava em uma fábrica de lajes em Cabreúva, no interior de São Paulo.

Ele caminhava cerca de quatro quilômetros diariamente para chegar ao trabalho e dependia da existência de pedidos para garantir serviço no dia. Durante o trajeto, passava por bairros repletos de casas em construção e começou a questionar por que a empresa onde trabalhava não vendia para aquelas obras.

“Porque eles não vieram comprar”

A resposta recebida do patrão mudou a forma como ele enxergava negócios. Wanderson pegou cartões da fábrica, escreveu o próprio nome e começou a distribuir nas obras da região. Algumas semanas depois, três construções haviam comprado produtos da empresa.

Segundo ele, aquela experiência mostrou que o problema não era falta de demanda, mas ausência de prospecção.

Os R$ 30 que viraram uma operação nacional

Anos depois, já casado e com a esposa grávida, Wanderson se mudou para São José dos Campos praticamente sem dinheiro. Segundo ele, sobraram apenas R$ 30 após a mudança.

Ao procurar emprego em uma loja de móveis planejados, ouviu novamente que o problema da empresa não era falta de vendedores, mas falta de clientes.

Ele decidiu imprimir cartões simples em uma lan house, mesmo ficando devendo parte do valor da impressão. Depois disso, começou a visitar condomínios e obras pessoalmente.

  • Caminhava até oito quilômetros por dia entre lojas e obras
  • Usava um chaveiro vazio para fingir que tinha carro nas reuniões
  • Conseguiu os primeiros contratos entregando contatos de clientes para lojistas
  • Em um mês, já tinha dez empresas pagando pelo serviço

A operação começou de forma quase improvisada, mas ganhou escala rapidamente com uma estratégia considerada incomum.

Rede com motoboys ajudou startup a crescer

Sem equipe estruturada e sem recursos para grandes operações, Wanderson percebeu que motoboys de restaurantes tinham acesso diário a condomínios e canteiros de obras.

Ele passou a pagar pequenas quantias para que entregadores trouxessem informações sobre construções em andamento. Em pouco tempo, criou uma rede com cerca de 60 motoboys coletando dados para a empresa.

O sistema manual funcionou até o momento em que o volume de informações começou a ficar grande demais para análise humana.

Virada aconteceu após contato com inteligência artificial

O fundador afirma que a mudança mais importante da empresa aconteceu após conhecer estudos ligados a redes neurais e deep learning.

Em 2013, Wanderson teve contato com informações sobre a AlexNet, sistema que se tornou conhecido por reconhecimento de imagens usando inteligência artificial.

“Dar para o computador todos os dados que tenho e fazer ele me devolver a resposta”

A partir dali, começou o desenvolvimento da plataforma tecnológica da Prospecta. Mesmo sem formação em programação, ele próprio desenvolveu os primeiros MVPs da empresa antes da estruturação técnica da equipe.

Hoje, o ecossistema inclui diferentes braços de atuação.

Produto Função
Prospecta Obras Mapeamento de obras para varejo e fornecedores
Mapeia Análise de mercado e previsão de demanda
Construpés Marketplace para consumidores em obras
Instituto Brasileiro de Inteligência da Construção Produção de relatórios públicos do setor

Empresa atende Vivo, Gerdau e prepara expansão internacional

A base de clientes da startup inclui companhias como Vivo, Gerdau e White Martins. Segundo Wanderson, empresas usam os dados tanto para estratégias comerciais quanto para decisões bilionárias de investimento em infraestrutura.

No caso da Vivo, as informações ajudam a definir regiões onde novas redes de fibra óptica podem ser instaladas.

A empresa fechou 2025 com 143 unidades licenciadas, mais de 12 mil clientes e faturamento de R$ 10,7 milhões.

Agora, a Prospecta prepara entrada nos Estados Unidos e no Canadá em 2027. O fundador afirma que ainda não encontrou concorrentes diretos operando com o mesmo modelo nesses mercados.

Segundo o Exame, a expansão internacional acontece em um momento de pressão sobre a construção civil brasileira, afetada por juros elevados, crédito imobiliário mais restrito e desaceleração de lançamentos. Mesmo assim, a empresa manteve crescimento e ampliou a atuação em inteligência de dados para o setor.

Alan Correa
Alan Correa
Jornalista multimídia e analista de tendências (MTB: 0075964/SP). Com olhar versátil que transita entre o setor automotivo, economia e cultura pop, é especialista em traduzir dinâmicas complexas do mercado e do comportamento do consumidor. No Carro Das Notícias e portais parceiros, assina de testes técnicos e guias de compra a análises de engajamento e entretenimento, sempre com foco em dados e interesse do público.

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