Fundação Casa: jovens aprovados na faculdade revelam mudança no sistema socioeducativo
Iniciativa educacional amplia acesso ao ensino superior para jovens em medida socioeducativa em SP
Trinta e cinco adolescentes que cumprem medida socioeducativa em centros da Fundação Casa, em São Paulo, conquistaram vagas no ensino superior e devem iniciar cursos de graduação ainda durante o período de internação ou semiliberdade.
A entrada na universidade ocorre por meio do projeto Sou Futuro, uma iniciativa que reúne o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, a Universidade Metropolitana de Santos, o SBT do Bem e a própria Fundação Casa. Desde 2021, o programa já possibilitou o acesso de mais de 200 jovens à graduação.
Vestibular online e preparação dentro das unidades
Os estudantes aprovados estão distribuídos em 24 centros de atendimento, localizados na capital, região metropolitana, litoral e interior do estado. Todos passaram por processo seletivo online e contaram com apoio pedagógico durante a preparação.
A dinâmica envolve estudo dentro das unidades, com acompanhamento de equipes educacionais que auxiliam na organização das rotinas e no acesso ao conteúdo necessário para a prova.
A aprovação ocorre ainda durante o cumprimento da medida, o que altera o percurso educacional desses adolescentes
Cursos à distância ampliam acesso
As vagas são oferecidas na modalidade de ensino à distância, com opções em cursos tecnólogos, licenciaturas e bacharelados. Cada participante escolhe a formação de acordo com interesses pessoais e possibilidades futuras de atuação.
Entre as áreas disponíveis estão:
- Design Gráfico
- Segurança da Informação
- Gestão Hospitalar
- Logística
- Marketing
- Análise e Desenvolvimento de Sistemas
O formato remoto permite que os estudantes acompanhem as aulas mesmo dentro das unidades, respeitando as limitações de deslocamento impostas pelo sistema socioeducativo.
Projeto se expande para além do sistema
Além dos adolescentes que cumprem medidas, o programa também alcança jovens em acolhimento institucional e participantes de programas sociais em municípios como Osasco.
A ampliação do público atendido indica uma estratégia de integração entre diferentes políticas públicas voltadas à juventude em situação de vulnerabilidade.
Educação como eixo de reintegração
A iniciativa está inserida no contexto das medidas socioeducativas aplicadas a jovens entre 12 e 21 anos incompletos, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo.
Nesse modelo, a educação aparece como instrumento de reorganização de trajetórias, ao lado de outras ações voltadas à reintegração social.
O acesso ao ensino superior passa a integrar o conjunto de medidas voltadas à construção de projetos de vida após o período de cumprimento
Histórico recente mostra crescimento da iniciativa
Desde sua criação, o projeto Sou Futuro vem ampliando o número de participantes e consolidando a presença da educação superior dentro das unidades socioeducativas. A adesão crescente reflete a estruturação das parcerias institucionais e a ampliação das oportunidades de formação.
A nova turma aprovada inicia os cursos em um cenário em que o programa segue ativo e com expansão prevista, enquanto novas etapas de seleção continuam sendo organizadas dentro dos centros da Fundação Casa.
Foto: Marcelo Machado/Fundação CASA
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