Perito expõe bastidores do caso Vitória e denúncia de manipulação pode implodir investigação em Cajamar
Um ano após o assassinato de Vitória Regina, em Cajamar (SP), o caso ganha novos contornos e pode sofrer uma reviravolta judicial. Um perito criminal afirma ter sido pressionado a alterar laudos que fundamentaram a prisão do único acusado — cuja confissão já foi anulada pela Justiça por suspeita de coação.
Um perito criminal denunciou pressão para alterar laudos no caso da jovem Vitória Regina, assassinada em fevereiro de 2025 em Cajamar, e a revelação pode mudar os rumos do processo que mantém Maicol Sales dos Santos preso à espera de julgamento. A denúncia veio a público no domingo (22/02/2026) e reacendeu dúvidas sobre a integridade das provas que embasaram a acusação.

- Perito criminal denuncia pressão para alterar laudos do caso.
- Vitória Regina foi assassinada em fevereiro de 2025, em Cajamar.
- Maicol Sales dos Santos é o único preso e aguarda julgamento.
- Confissão foi anulada por suspeita de coação.
- Defesa questiona perícia em celular e vestígios de sangue.
Um ano depois da morte da adolescente de 17 anos, a investigação volta ao centro do debate. Vitória desapareceu ao retornar do trabalho e, em mensagem enviada a uma amiga, relatou estar sendo seguida por dois homens. O corpo foi localizado nove dias depois, em uma área de mata. Desde então, a cidade convive com uma pergunta que ainda ecoa: o que, de fato, aconteceu naquela noite?
O único preso pelo crime é Maicol Sales dos Santos. A Polícia apontou vestígios de sangue no carro e na residência dele, além de fotografias da vítima encontradas em seu celular. Esses elementos sustentaram a denúncia aceita pela Justiça. Agora, a solidez desse conjunto probatório é questionada.
O perito que atuou nas primeiras diligências afirma que aplicou luminol na casa do suspeito e que não identificou sangue humano nas áreas examinadas. Segundo o relato, no dia seguinte, outra equipe realizou nova perícia e encontrou vestígios no banheiro do imóvel. Ele afirma ainda que seu nome foi incluído em um laudo complementar que não produziu e que teria sido pressionado a inserir informações que, segundo lhe disseram, “ajudariam no processo”.
“Eu me recusei a forjar documento”, afirmou o perito em entrevista exibida na televisão.
A defesa sustenta que o celular apreendido não passou por perícia formal e que houve manipulação de dados no período em que o acusado estava sob custódia. Também aponta ausência de exame de DNA confirmando que o material biológico encontrado seria da vítima.
| Elemento | Versão da Investigação | Questionamento da Defesa |
|---|---|---|
| Sangue na residência | Vestígio identificado em nova perícia. | Primeira análise não encontrou material humano. |
| Celular do acusado | Fotos da vítima localizadas. | Não houve perícia técnica formal. |
| Confissão | Depoimento inicial admitiu o crime. | Confissão anulada por suspeita de coação. |
O ponto mais sensível é a confissão. Maicol chegou a admitir participação no crime, mas a Justiça anulou o depoimento após indícios de coação. No processo penal, a confissão não é absoluta; precisa ser voluntária e acompanhada de provas consistentes. Sem isso, perde valor.
A Secretaria de Segurança Pública informou que o inquérito foi conduzido com rigor e que a denúncia foi aceita pelo Judiciário. A Corregedoria acompanha as alegações. Enquanto isso, o processo segue para julgamento.
No centro do debate está a cadeia de custódia, mecanismo que assegura rastreabilidade e integridade das provas desde a coleta até a análise em juízo. Falhas nesse percurso podem gerar nulidades e alterar o desfecho de um caso criminal.
Na casa da família de Vitória, o tempo não apagou o luto. O pai, Carlos, afirmou que precisa de respostas. Entre denúncias técnicas e disputas jurídicas, o caso expõe não apenas a busca por autoria, mas a necessidade de confiança no caminho percorrido até a verdade judicial.
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