O Ministério das Relações Exteriores encaminhou à Câmara dos Deputados uma resposta formal sobre as regras de hospedagem em residências oficiais do Brasil no exterior, tema que voltou ao debate após a repercussão da estadia do humorista Fábio Porchat na residência da embaixada brasileira em Roma.
Os esclarecimentos foram enviados após questionamento apresentado pelo deputado federal Gustavo Gayer. O parlamentar solicitou informações sobre os critérios utilizados para autorizar a permanência de pessoas sem cargo público nesses imóveis mantidos pela diplomacia brasileira.
Segundo o Itamaraty, as residências oficiais dos embaixadores possuem dupla função. Além de servirem como espaço para compromissos diplomáticos, recepções e encontros institucionais, também funcionam como moradia do chefe da representação brasileira e de sua família.
Nesse contexto, o ministério argumenta que cabe ao embaixador responsável pela residência decidir sobre a recepção de convidados particulares, desde que essa hospedagem não gere qualquer despesa aos cofres públicos.
De acordo com a resposta encaminhada pelo Itamaraty, a autoridade responsável pela autorização de hóspedes é o chefe do posto diplomático.
A pasta ressaltou que não existe impedimento para que convidados particulares sejam recebidos nas residências oficiais quando a hospedagem ocorre sem utilização de recursos públicos.
“A autoridade competente para autorizar a recepção de hóspedes nas residências oficiais é o chefe do posto.”
O ministério acrescentou que, caso alguma despesa pública seja gerada em decorrência da presença de convidados particulares, o valor deverá ser ressarcido à União.
Segundo o próprio Itamaraty, não há registros de ocorrências desse tipo.
O esclarecimento também detalha como funciona o registro de hospedagens realizadas nos imóveis oficiais.
Conforme informado pelo ministério, existe controle formal apenas quando os hóspedes são agentes públicos. Nesses casos, ficam registrados dados como nome, cargo, período da permanência e justificativa da hospedagem.
Já os convidados particulares ficam sob responsabilidade direta do embaixador que ocupa a residência.
Para convidados sem função pública, o controle administrativo não segue o mesmo procedimento, segundo a explicação apresentada à Câmara.
O debate teve origem após a divulgação de informações sobre a presença de Fábio Porchat na residência oficial da embaixada brasileira em Roma durante as comemorações de Natal de 2025.
Na época, o humorista publicou um vídeo gravado dentro do imóvel diplomático que gerou repercussão política nas redes sociais.
Posteriormente, o Itamaraty informou que Porchat estava no local como convidado pessoal do embaixador Renato Mosca e que a visita não produziu despesas para a administração pública.
| Evento | Hospedagem de Fábio Porchat em Roma |
| Ano | 2025 |
| Local | Residência oficial da embaixada brasileira na Itália |
| Posição do Itamaraty | Sem gastos públicos |
Segundo o Metropoles, a manifestação enviada agora à Câmara consolida o entendimento adotado pelo ministério sobre o uso dessas residências. O tema, contudo, continua presente no debate político e parlamentar, especialmente em discussões relacionadas à utilização de estruturas oficiais brasileiras mantidas no exterior.