O fundador da Microsoft, Bill Gates, afirmou em depoimento ao Congresso dos Estados Unidos que Jeffrey Epstein tentou usar informações sobre seus relacionamentos extraconjugais para pressioná-lo a retomar contatos após encontros relacionados a projetos filantrópicos. A declaração foi dada nesta quarta-feira (10) durante uma audiência privada ligada à investigação sobre a atuação das autoridades americanas nos processos envolvendo o financista.
Segundo o relato apresentado aos parlamentares, Gates declarou que não compreendia completamente a dimensão dos crimes atribuídos a Epstein quando manteve reuniões com ele para discutir possíveis iniciativas voltadas à captação de recursos e ações sociais. O empresário também afirmou que nunca presenciou qualquer atividade criminosa durante os encontros.
O depoimento ocorreu no âmbito da investigação conduzida pelo Comitê de Supervisão e Reforma Governamental da Câmara dos Representantes. O grupo analisa a atuação de órgãos federais nos casos envolvendo Epstein, sua associada Ghislaine Maxwell e possíveis falhas institucionais ligadas às investigações.
Em sua declaração, Gates afirmou que os episódios envolvendo sua vida pessoal causaram sofrimento à família. Segundo ele, Epstein teria usado informações verdadeiras misturadas a alegações falsas para pressioná-lo.
“Epstein estava trabalhando para usar informações sobre minhas infidelidades, além de muitas mentiras que acrescentou, para me pressionar a retomar o contato com ele”, afirmou Gates em declaração apresentada ao comitê.
O empresário compareceu à audiência após solicitação formal do deputado republicano James Comer, presidente da comissão responsável pelos trabalhos.
A relação entre Gates e Epstein voltou ao centro das discussões após a divulgação de documentos do Departamento de Justiça americano. Os registros indicam que os dois se encontraram diversas vezes depois de Epstein ter cumprido pena por uma condenação relacionada à exploração sexual de menores na Flórida, revelou o G1.
Os arquivos também revelaram fotografias de Gates ao lado de mulheres cujas identidades não foram divulgadas publicamente. Em manifestações anteriores, o empresário já havia reconhecido que manter contato com Epstein foi um erro, embora sustentasse que as conversas tinham foco exclusivo em projetos filantrópicos.
O caso ultrapassou a esfera pessoal do bilionário e passou a atingir diretamente a Fundação Gates. A organização informou anteriormente ter iniciado uma revisão externa para analisar os contatos mantidos com Epstein e os procedimentos adotados durante o período em que ocorreram as interações.
E-mails divulgados pelo Departamento de Justiça mostraram trocas de mensagens entre Epstein e integrantes da fundação. As revelações ampliaram os questionamentos sobre o alcance do relacionamento entre o financista e pessoas ligadas à instituição filantrópica.
Em fevereiro, segundo porta-voz da organização, Gates reconheceu internamente responsabilidades relacionadas às decisões tomadas durante aquele período.
A comissão da Câmara analisa não apenas os vínculos pessoais de Epstein, mas também acordos judiciais, investigações anteriores, decisões do Departamento de Justiça, a morte do financista na prisão e a demora na divulgação de documentos oficiais.
A abertura de milhões de páginas de arquivos federais revelou conexões de Epstein com figuras influentes dos setores político, empresarial, financeiro e acadêmico. Entre os nomes citados nos documentos está o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que manteve convivência social com Epstein durante as décadas de 1990 e 2000.
O material também alimentou críticas à condução de autoridades que participaram das investigações ao longo dos anos. Enquanto novas audiências seguem sendo realizadas em Washington, parlamentares continuam reunindo depoimentos e documentos para esclarecer como o sistema federal tratou um dos casos mais controversos da história recente dos Estados Unidos.