A senadora Soraya Thronicke afirmou que decidiu apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após mudar sua percepção sobre a atuação do petista no governo federal. A declaração foi dada durante um evento em um assentamento rural no município de Anastácio, em Mato Grosso do Sul, onde a parlamentar fez críticas ao período em que Jair Bolsonaro esteve no Palácio do Planalto.
Segundo a Veja, a fala marcou mais um capítulo da mudança política da senadora, eleita em 2018 pelo PSL na onda bolsonarista que dominou parte do país naquele ano. Desde então, Soraya rompeu com antigos aliados da direita, mudou de partido duas vezes e passou a integrar a base de apoio do governo federal no Senado.
Durante a comemoração de 36 anos do assentamento Monjolinho, Soraya afirmou que ficou impressionada com a forma como Lula conduz as relações institucionais e disse não ter receio de mudar de posição política.
“Eu senti na pele o que é o descaso e não tive medo de mudar de lado”, afirmou a senadora durante o discurso.
A parlamentar também declarou que Lula a deixou “de queixo caído” pela humanidade e pela maneira de agir politicamente. Na mesma fala, ela argumentou que governos precisam de mais tempo para reconstruir estruturas administrativas e defendeu a reeleição do presidente já no primeiro turno em 2026.
A mudança de postura ocorre depois de anos de distanciamento gradual do bolsonarismo. Embora tenha sido eleita na mesma legenda de Bolsonaro, Soraya rompeu com o ex-presidente ao longo do mandato e passou a adotar posições independentes no Congresso.
Em 2022, Soraya disputou a Presidência da República pelo União Brasil, em uma candidatura que buscava ocupar espaço de centro-direita fora da polarização entre Lula e Bolsonaro. Na ocasião, ela não declarou apoio formal a nenhum dos dois candidatos no segundo turno.
Depois da eleição presidencial, porém, a senadora se aproximou do governo federal. Antes de ingressar no PSB, legenda aliada de Lula, ela ainda passou pelo Podemos. Agora, participa diretamente da articulação política do grupo governista em Mato Grosso do Sul enquanto tenta renovar o mandato que termina em 2026.
A mudança de discurso também aparece na tentativa de aproximação com setores populares e movimentos ligados ao campo e ao trabalho. Conhecida anteriormente pela ligação com o empresariado sul-mato-grossense, Soraya passou a frequentar agendas alinhadas a grupos historicamente próximos da esquerda.
Ao explicar os motivos da mudança de posição, Soraya também citou a participação em comissões parlamentares de inquérito e comissões mistas instaladas nos últimos anos no Congresso Nacional.
Segundo ela, integrantes ligados ao campo político de Lula compareceram às investigações, enquanto aliados de Bolsonaro teriam evitado depoimentos. A senadora classificou a situação como “uma vergonha” ao justificar sua decisão de apoiar o atual presidente.
A movimentação ocorre em um momento de reorganização política no Mato Grosso do Sul, onde lideranças locais já começam a estruturar alianças para as eleições de 2026. A senadora tenta consolidar espaço em um cenário ainda fortemente influenciado pelo eleitorado conservador que ajudou a elegê-la oito anos atrás.