O senador Flávio Bolsonaro (PL) esteve na Casa Branca nesta terça-feira, em Washington, onde apareceu ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma reunião breve realizada no Salão Oval. A imagem foi divulgada pelo próprio parlamentar nas redes sociais e rapidamente passou a circular entre aliados e adversários políticos no Brasil.
Segundo integrantes da comitiva brasileira, o encontro teve duração curta e ocorreu após articulação conduzida pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro junto à ala ideológica do governo Trump. Além de Flávio e Eduardo, o comunicador Paulo Figueiredo também participou da visita.
Os relatos indicam que documentos foram entregues a assessores da Casa Branca e que os brasileiros entraram no local principalmente para registrar a fotografia com o presidente americano antes de deixarem o ambiente. Até o momento, não há confirmação pública de que temas políticos tenham sido efetivamente discutidos diretamente com Trump.
De acordo com informações divulgadas nos bastidores da viagem, Flávio Bolsonaro pretendia tratar de dois assuntos considerados prioritários pelo grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro: a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e o debate sobre liberdade de expressão nas redes sociais no Brasil.
Os dois temas aparecem com frequência no discurso da ala conservadora alinhada ao trumpismo e fazem parte da estratégia internacional construída por Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos ao longo do último ano.
Eduardo Bolsonaro permanece nos EUA há mais de um ano e atua politicamente ao lado de aliados de Donald Trump, enquanto é alvo de investigações no Brasil.
O ex-deputado também aparece citado em apurações relacionadas a suspeitas de financiamento irregular e articulações internacionais envolvendo autoridades brasileiras. Mesmo fora do país, ele segue mantendo interlocução com grupos conservadores americanos próximos do governo republicano.
A visita aos Estados Unidos acontece em meio a um momento delicado para Flávio Bolsonaro no cenário eleitoral. Segundo levantamento Datafolha citado nos bastidores políticos de Brasília, o senador registrou queda nas intenções de voto após repercussão envolvendo sua proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Nas simulações de primeiro turno para a disputa presidencial, Flávio caiu de 35% para 31%, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou de 38% para 40%. A distância entre os dois, que antes era de três pontos percentuais, subiu para nove.
No cenário de segundo turno, Lula abriu vantagem após aparecer com 47% contra 43% do senador. Na pesquisa anterior, ambos apareciam empatados tecnicamente com 45%.
A divulgação da fotografia na Casa Branca foi tratada por aliados bolsonaristas como demonstração de prestígio internacional e aproximação com o governo republicano dos Estados Unidos. A estratégia mira principalmente o eleitorado conservador que acompanha o movimento político de Trump e mantém identificação com o bolsonarismo.
Nas redes sociais, apoiadores destacaram o encontro como sinal de influência internacional da família Bolsonaro, enquanto adversários questionaram o conteúdo efetivo da reunião e a ausência de confirmação sobre conversas oficiais.
Segundo o G1, a viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos começou na segunda-feira (25), um dia antes do encontro com Trump. Até a noite desta terça-feira, a Casa Branca ainda não havia divulgado detalhes formais sobre a visita da comitiva brasileira nem informado se haverá novos encontros nos próximos dias.