A nova etapa do Desenrola Brasil estabelece que instituições financeiras terão prazo de até 30 dias para retirar restrições no CPF de clientes com dívidas de até R$ 100. A medida foi formalizada por portaria do Ministério da Fazenda publicada nesta terça-feira (5), após o lançamento do programa na véspera.
A retirada do nome das listas de inadimplência não elimina o débito. O consumidor deixa de figurar como negativado, mas a obrigação de pagamento permanece ativa.
A regra determina que bancos participantes do programa devem retirar de forma permanente o registro negativo desses débitos, como contrapartida para aderir ao Desenrola 2.0.
Além disso, as instituições terão de destinar 1% do valor renegociado para ações de educação financeira e ficam proibidas de permitir uso de crédito para apostas online, incluindo cartão, PIX parcelado e modalidades similares.
A regulamentação publicada no Diário Oficial da União também detalha como os bancos devem aplicar descontos nas renegociações. Os abatimentos variam conforme o tipo de dívida e o tempo de atraso.
Para cartão de crédito rotativo e cheque especial, por exemplo:
Já para crédito pessoal e cartão parcelado:
Os descontos devem incidir sobre o valor original da dívida.
O programa autoriza o uso de até 20% do saldo do FGTS, ou no mínimo R$ 1 mil, para quitar ou reduzir dívidas. A transferência não passa pelo trabalhador: o valor sai diretamente da conta vinculada para o banco credor.
A Caixa Econômica Federal terá até 30 dias para efetuar essa operação após solicitação da instituição financeira.
O Desenrola 2.0 é voltado principalmente para pessoas com renda de até cinco salários mínimos, atualmente R$ 8.105. O programa também contempla outras categorias.
A expectativa do governo é liberar até R$ 8,2 bilhões em recursos do FGTS e renegociar até R$ 58 bilhões em dívidas.
O detalhamento do programa ocorre em um momento de dificuldades do governo no Congresso e de aproximação das eleições de 2026. A aposta tem sido em medidas de impacto direto sobre renda e crédito, com execução mais rápida e menor dependência de negociações legislativas.
Estudos indicam que a primeira edição do Desenrola teve efeito relevante na redução da inadimplência entre famílias de baixa renda, mas esse impacto diminuiu após cerca de 18 meses.
A nova fase tenta ampliar o alcance e acelerar resultados, em um cenário em que o endividamento segue elevado e a recuperação do crédito é vista como fator central para o consumo e a atividade econômica nos próximos meses.