A sabatina de Jorge Messias na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, realizada em 29 de abril de 2026, foi marcada por um episódio que extrapolou o debate jurídico e alcançou a disputa de narrativas históricas. Durante sua fala, o senador Marcio Bittar (PL-AC) afirmou que o cantor Caetano Veloso teria participado de ações armadas durante a ditadura militar.
A declaração ocorreu no contexto de um argumento sobre anistia e os eventos políticos recentes no país. Ao citar figuras públicas que, segundo ele, teriam sido beneficiadas por perdões políticos no passado, o senador incluiu o artista baiano entre aqueles que teriam aderido à luta armada.
A reação veio de forma imediata. O senador Otto Alencar (PSD-BA), que presidia a sessão, interrompeu a fala para corrigir a afirmação. Disse que Caetano Veloso nunca participou de ações armadas e que sua trajetória esteve ligada exclusivamente à produção cultural.
A intervenção mudou o ritmo da discussão e trouxe o foco para a precisão das informações citadas durante a sabatina. O episódio ocorreu diante de outros parlamentares e foi registrado em vídeo, que passou a circular nas redes sociais ainda durante a sessão.
Caetano nunca pegou em armas, só pegou a vida inteira em violão
Após a repercussão, o próprio cantor se manifestou por meio da rede social X. Agradeceu a correção feita no plenário e afirmou que sua atuação sempre esteve ligada à música e à palavra.
De acordo com documentos oficiais, Caetano Veloso foi preso em 1968 sob acusação de subversão e incitação à desordem. A detenção ocorreu no contexto da repressão cultural durante o regime militar.
Não há registros que indiquem participação do artista em atividades armadas ou em grupos de guerrilha, conforme apontam os documentos históricos disponíveis.
O episódio ocorreu durante a análise da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. O advogado-geral da União, de 45 anos, foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a aposentadoria de um ministro da Corte.
Messias ocupa o cargo desde 2023 e construiu trajetória no serviço público desde 2007, com passagens por órgãos como Banco Central e BNDES. Sua atuação recente inclui a defesa de medidas estratégicas do governo e posicionamentos em temas institucionais.
Segundo o G1, a sabatina seguiu com questionamentos sobre temas como os atos de 8 de janeiro, decisões do Supremo e políticas públicas. O episódio envolvendo o nome de Caetano Veloso, no entanto, permaneceu como um dos momentos mais comentados da sessão.
Nos bastidores do Senado, a repercussão continuava ao longo do dia, com parlamentares discutindo o impacto da declaração e a circulação do vídeo nas redes sociais, enquanto a análise da indicação de Messias seguia sem previsão de conclusão imediata.