O câncer colorretal, também chamado de câncer de intestino, está entre os tumores mais incidentes na população e preocupa médicos pelo crescimento de casos em pessoas mais jovens. Embora fatores genéticos tenham peso em parte dos diagnósticos, especialistas afirmam que aproximadamente 70% dos casos estão relacionados ao ambiente e ao estilo de vida.
Nesse grupo entram hábitos como alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo, obesidade e consumo excessivo de álcool. A combinação desses fatores interfere diretamente no funcionamento do sistema gastrointestinal e na saúde da microbiota intestinal, conjunto de bactérias que vive no intestino e participa de processos fundamentais do organismo.
O intestino funciona como uma barreira física, química e imunológica do corpo. Além de absorver nutrientes, ele participa de mecanismos ligados à inflamação, imunidade e metabolismo.
Segundo especialistas em nutrição clínica e oncologia, a alimentação diária influencia diretamente o equilíbrio da microbiota intestinal. Quando ocorre desequilíbrio bacteriano, chamado de disbiose, aumentam os riscos de doenças metabólicas e inflamatórias, incluindo obesidade, diabetes e câncer colorretal.
Pesquisadores têm concentrado esforços em entender como a alimentação modifica o ambiente intestinal ao longo da vida e de que forma isso interfere no surgimento de tumores.
A obesidade aparece entre os principais fatores ligados ao aumento do risco. O excesso de gordura corporal favorece inflamação crônica e alterações metabólicas, como resistência à insulina, condições que podem criar um ambiente favorável ao desenvolvimento do câncer.
Relatórios do World Cancer Research Fund e do American Institute for Cancer Research identificaram associação entre o consumo frequente de carnes processadas e vermelhas e o aumento do risco de câncer colorretal.
Carnes processadas incluem alimentos submetidos a processos industriais para conservação ou intensificação de sabor.
Já as carnes vermelhas incluem cortes bovinos, carne suína, cordeiro e cabrito. Médicos ressaltam que o problema está no excesso, não necessariamente na exclusão completa desses alimentos.
Especialistas recomendam moderação e formas de preparo menos agressivas, priorizando cozimento em vez de altas temperaturas, como frituras intensas e carnes muito queimadas.
| Consumo recomendado de carne vermelha | Cerca de 500 g por semana |
| Frequência indicada de peixe | Pelo menos duas vezes por semana |
As fibras aparecem entre os componentes mais associados à proteção do intestino. Elas estão presentes em frutas, verduras, legumes, sementes, nozes e grãos integrais.
Quando chegam ao intestino grosso, essas fibras são fermentadas pelas bactérias intestinais e ajudam no funcionamento adequado do órgão. Esse processo reduz o tempo de contato de substâncias potencialmente cancerígenas com a parede intestinal.
Segundo dados publicados no periódico Jama, consumir até 90 g de fibras por dia pode reduzir entre 12% e 17% o risco de câncer colorretal.
A recomendação para adultos saudáveis gira em torno de 30 g diárias, distribuídas entre alimentos naturais.
A hidratação adequada também faz parte da estratégia, já que o consumo de fibras exige maior ingestão de líquidos para funcionamento intestinal eficiente.
Pesquisas recentes apontam que leite, queijo e iogurte magros podem ter efeito protetor contra o câncer colorretal. Revisões científicas indicam que o consumo elevado de laticínios, próximo de 400 g por dia, esteve associado a redução de até 13% na incidência da doença.
O benefício pode estar ligado ao cálcio, nutriente que participa de mecanismos associados à redução de pólipos intestinais, lesões que podem evoluir para tumores malignos.
O câncer colorretal pode não apresentar sintomas nas fases iniciais, o que reforça a importância do rastreamento e dos exames preventivos, principalmente em pessoas com fatores de risco.
Entre os sinais que merecem investigação médica estão:
Pessoas com histórico familiar da doença, obesidade, doenças inflamatórias intestinais, tabagismo ou consumo excessivo de álcool devem ter acompanhamento mais próximo.
Os tratamentos atuais incluem cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapias direcionadas. Em alguns casos, técnicas como cirurgia robótica vêm sendo utilizadas para aumentar a precisão dos procedimentos e reduzir o tempo de recuperação.
Segundo o Uol, especialistas reforçam que atividade física regular, alimentação equilibrada, controle do peso corporal e redução de ultraprocessados seguem entre as medidas mais importantes para diminuir o risco da doença. O avanço das pesquisas também tem ampliado o entendimento sobre o papel da microbiota intestinal e dos hábitos alimentares no desenvolvimento do câncer colorretal, tema que continua no centro de estudos internacionais sobre prevenção e saúde digestiva.