Uma tubulação instalada sob o canal do Porto de Santos começa a redesenhar o abastecimento de água do Guarujá, município que há anos convive com torneiras secas justamente quando a população aumenta e o consumo dispara. A Travessia Subaquática Santos-Guarujá entrou na fase final de construção e tem entrega prevista para o segundo semestre de 2026.
O projeto da Sabesp recebeu investimento de R$ 134,7 milhões e reúne mais de 5 quilômetros de tubos. Desse total, 1,5 quilômetro atravessa o fundo do canal portuário, formando uma rota capaz de levar 500 litros de água tratada por segundo para a Ilha de Santo Amaro.
Quando a operação começar, o reforço poderá beneficiar mais de 450 mil pessoas. A prioridade é ampliar a segurança hídrica de áreas que sentem com maior intensidade os efeitos das estiagens e da alta temporada, quando turistas ocupam hotéis, imóveis de veraneio e praias da Baixada Santista.
A água será produzida na Estação de Tratamento de Água Cubatão e seguirá pelos reservatórios da companhia até o Saboó, em Santos. A partir desse ponto, entrará na nova adutora, passará sob o canal do Porto e chegará ao reservatório de Vicente de Carvalho, um dos bairros mais afetados por interrupções sazonais.
A nova estrutura não reduzirá o volume destinado a Santos ou Cubatão. Segundo o Governo de São Paulo, a estação responsável pelo tratamento possui capacidade para atender simultaneamente os três municípios.
Esta será a segunda travessia subaquática em operação na região. A primeira liga a Ponta da Praia, em Santos, à Vila Lígya, no Guarujá, e também pode enviar até 500 litros por segundo.
Segundo a Agenciasp, a obra faz parte do novo ciclo de investimentos da Sabesp após a desestatização. Em 2025, a companhia investiu R$ 15,2 bilhões em infraestrutura, crescimento de 120% diante dos R$ 6,9 bilhões aplicados no ano anterior. A meta anunciada é antecipar para 2029 a universalização dos serviços de água e esgoto nas cidades atendidas.
Outros projetos estão em andamento na Baixada Santista. O Sistema Mambu Branco receberá um reservatório com capacidade para 40 milhões de litros, criado para reduzir impactos de chuvas intensas na produção. A nova Estação de Tratamento de Água Melvi poderá produzir 1.270 litros por segundo a partir de 2027.
Durante a construção, a Sabesp passou a utilizar o cachorro-robô DOM nas inspeções de galerias, tubos e espaços confinados. Equipado com câmera de alta definição, iluminação e sensores de gases, o equipamento transmite dados em tempo real e trabalha por até duas horas antes da troca das baterias.
A travessia segue em execução, enquanto a instalação dos tubos e a ligação entre os reservatórios avançam para permitir o início da operação ainda no segundo semestre.