A Sabesp iniciou a aplicação de uma tecnologia baseada em imagens de satélite e inteligência artificial para identificar vazamentos subterrâneos na rede de distribuição de água na Região Metropolitana de São Paulo, com expectativa de recuperar 6,7 bilhões de litros já no primeiro ano de operação.
O volume projetado equivale ao consumo de uma cidade de porte médio, como Caieiras, que tem mais de 95 mil habitantes. A iniciativa integra a estratégia de redução de perdas, que ganhou prioridade na gestão da companhia após a privatização.
O sistema utilizado permite localizar vazamentos que não aparecem na superfície e que, até então, passavam despercebidos por métodos convencionais. Em testes realizados na região central da capital, a tecnologia foi capaz de identificar até cinco vezes mais ocorrências em comparação com técnicas tradicionais.
O modelo combina imagens de satélite com inteligência artificial para mapear pontos de umidade no subsolo.
A ferramenta foi originalmente desenvolvida para aplicações científicas, incluindo a busca por água em ambientes de difícil acesso, como o solo marciano, e agora foi adaptada para uso no saneamento urbano.
Nos primeiros três meses de implementação, o projeto prevê o monitoramento de quase 9 mil quilômetros de redes de distribuição e adutoras. A operação abrange cidades estratégicas da Grande São Paulo, incluindo áreas com histórico elevado de perdas.
Na capital, regiões como Consolação, Avenida Paulista, Jardim América, Sacomã, Mooca, Guaianases, Itaquera e Perus estão entre os pontos mapeados.
A tecnologia realiza um escaneamento do subsolo por meio de ondas emitidas por satélites, que conseguem detectar sinais de umidade até três metros de profundidade. Com base nesses dados, são gerados mapas que indicam áreas com maior probabilidade de vazamento.
| Etapa | Descrição |
| Captação | Satélites coletam dados do solo |
| Análise | IA identifica padrões de umidade |
| Validação | Equipes verificam pontos suspeitos |
| Reparo | Correção das falhas detectadas |
As equipes de campo atuam dentro de um raio de até 100 metros dos pontos indicados, confirmando a existência do vazamento e executando os reparos necessários.
Segundo o Estadao, o contrato para uso da tecnologia, desenvolvida pela empresa israelense Asterra, prevê investimento de R$ 5,9 milhões ao longo de dois anos. A proposta é expandir gradualmente a cobertura até alcançar toda a Região Metropolitana de São Paulo.
A Sabesp avalia que a adoção do sistema pode reduzir significativamente as perdas de água tratada, que representam impacto direto nos custos operacionais e na eficiência do abastecimento.
A fase inicial do projeto segue com monitoramento contínuo das áreas já mapeadas, enquanto novas regiões são incorporadas ao sistema conforme a análise dos primeiros resultados e a validação dos dados obtidos em campo.