A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade manter Rodrigo Manga (Republicanos) no cargo de prefeito de Sorocaba, no interior de São Paulo. O julgamento confirmou a decisão individual tomada em março pelo ministro Kassio Nunes Marques, que havia autorizado o retorno do político ao comando da prefeitura após mais de quatro meses de afastamento.
Os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux acompanharam os votos já apresentados anteriormente pelos colegas da turma. Com isso, ficou mantido o entendimento de que não havia mais necessidade de manter a suspensão do prefeito, determinada inicialmente pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região durante as investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Rodrigo Manga foi afastado do cargo durante a Operação Copia e Cola, deflagrada em novembro de 2025. A investigação apontou o prefeito como líder do grupo investigado e principal beneficiário de um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos da área da saúde em Sorocaba.
Segundo a apuração da Polícia Federal, o caso envolvia suspeitas relacionadas à gestão de contratos públicos e movimentações consideradas irregulares pelos investigadores. O afastamento ocorreu por decisão judicial vinculada ao TRF-3.
Ao devolver o cargo ao prefeito em março deste ano, Kassio Nunes Marques afirmou que a continuidade da medida representava uma “intervenção excessiva na esfera política e administrativa” do município. A posição acabou confirmada pela Segunda Turma do STF no julgamento concluído nesta segunda-feira.
“Tentaram manchar minha imagem, mas Deus fez justiça na minha vida e eu voltei”, afirmou Rodrigo Manga em vídeo publicado após reassumir o cargo.
O vídeo citado pelo prefeito foi publicado em seu perfil nas redes sociais logo após a autorização para voltar ao comando da prefeitura. Na gravação, Manga aparece recebendo um jato de líquido marrom e depois outro de água, em uma encenação usada para comemorar o retorno à administração municipal.
Conhecido nacionalmente pelo apelido de “prefeito tiktoker”, Rodrigo Manga transformou as redes sociais em uma das principais vitrines políticas de sua gestão. Os vídeos publicados por ele frequentemente misturam humor, encenações e divulgação de obras e serviços públicos.
Nos últimos meses, porém, algumas dessas produções passaram a gerar críticas dentro da própria estrutura da prefeitura. Servidores municipais relataram ao UOL que uma gravação publicada em abril teria mobilizado equipes de água, drenagem, esgoto e sinalização para abrir um buraco sem necessidade técnica apenas para produção de conteúdo audiovisual.
A gravação mostrava o prefeito empurrando um ator dentro de um buraco com água marrom enquanto comentava obras de recapeamento. A Prefeitura de Sorocaba negou que a situação tenha sido encenada exclusivamente para as redes sociais e afirmou que os trabalhos realizados no local eram legítimos.
O julgamento envolvendo Rodrigo Manga ocorreu em um momento de forte movimentação política em Brasília e no Judiciário. O ministro Kassio Nunes Marques, responsável pela decisão que devolveu o cargo ao prefeito, assumiu recentemente a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, ampliando sua influência dentro das cortes superiores.
Enquanto isso, a investigação sobre contratos da saúde em Sorocaba continua em andamento. Até o momento, não houve julgamento definitivo sobre as acusações levantadas pela Operação Copia e Cola, e os desdobramentos do caso seguem sendo acompanhados tanto pela Polícia Federal quanto pelo Ministério Público Federal, revelou o UOL.