A nomeação da coronel Glauce Anselmo Cavalli como primeira comandante-geral da Polícia Militar do Estado de São Paulo, após quase dois séculos de história da corporação, trouxe à tona a origem da participação feminina na segurança pública paulista. Durante a cerimônia, realizada em 29 de abril de 2026, foram lembradas as primeiras mulheres que integraram a estrutura policial no estado.
O grupo, formado em 1955, marcou a criação do Corpo de Policiamento Especial Feminino, considerado o primeiro da América Latina. Ao todo, 13 mulheres foram selecionadas entre 50 candidatas para compor a equipe, que passou por um curso intensivo de formação com duração de 180 dias.
A iniciativa foi oficializada por meio do Decreto 24.548, publicado em 12 de maio de 1955, durante o governo de Jânio Quadros. A medida surgiu após estudos que buscavam incorporar mulheres à atividade policial, ainda que em funções distintas das exercidas pelos homens naquele período.
Poucos dias depois, em 26 de maio, um novo decreto detalhou os critérios de seleção e consolidou a estrutura do grupo dentro da antiga Guarda Civil de São Paulo.
Naquele momento, a função das policiais era voltada principalmente ao atendimento de mulheres, crianças, idosos e migrantes. A atuação não incluía o combate direto ao crime, refletindo a divisão de funções existente na época.
Com o passar das décadas, essa estrutura foi sendo modificada, acompanhando mudanças sociais e institucionais que ampliaram o papel das mulheres dentro da corporação.
A Polícia Militar do Estado de São Paulo, na configuração atual, foi criada em 9 de abril de 1970, após a fusão entre a Guarda Civil e a Força Pública. A partir desse momento, a presença feminina passou a se integrar gradualmente às atividades operacionais.
Em 1971, mulheres ingressaram pela primeira vez na Academia do Barro Branco, e o processo de integração evoluiu até a extinção de estruturas separadas no ano 2000. Em 2011, a distinção formal entre formação masculina e feminina foi eliminada.
Atualmente, a Polícia Militar de São Paulo conta com cerca de 81 mil integrantes, sendo aproximadamente 11,7 mil mulheres distribuídas entre oficiais e praças. A presença feminina, que começou com funções restritas, passou a ocupar todas as áreas, incluindo o comando da instituição.
A nova comandante, formada em 1997, construiu carreira em diferentes áreas da corporação, incluindo logística, comunicação e comando operacional, antes de assumir o posto mais alto da PM paulista.
A posse ocorre em um momento de ampliação da participação feminina na segurança pública, enquanto a corporação segue em processo de adaptação estrutural e operacional diante das demandas atuais do estado.
Foto de capa: Pablo Jacob/Governo Estado SP.