Estados Unidos e Irã deram neste domingo um dos passos diplomáticos mais relevantes dos últimos meses ao anunciarem um acordo de paz que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz, área estratégica para o comércio global de petróleo e gás natural.
O anúncio foi feito pelo presidente norte-americano Donald Trump e posteriormente confirmado por autoridades iranianas e pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. Embora os termos definitivos ainda não tenham sido divulgados oficialmente pelos governos envolvidos, informações publicadas por veículos internacionais e agências estatais apontam para um amplo entendimento destinado a encerrar a escalada militar na região.
O Estreito de Ormuz tornou-se um dos principais pontos das conversas entre Washington e Teerã. A passagem marítima é considerada uma das mais importantes do mundo para o transporte de petróleo.
Segundo informações divulgadas pela imprensa iraniana, a reabertura completa deverá ocorrer em até 30 dias, com retorno gradual do fluxo marítimo aos níveis registrados antes do conflito. O entendimento também prevê o fim do bloqueio naval norte-americano na entrada da região.
Em mensagem divulgada nas redes sociais, Trump afirmou que autorizou a retirada imediata do bloqueio e celebrou o que chamou de conclusão do acordo.
“Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir”, afirmou o presidente norte-americano ao anunciar o entendimento.
Embora versões diferentes tenham sido divulgadas por fontes norte-americanas e iranianas, alguns elementos aparecem de forma recorrente nas informações divulgadas até agora.
As divergências permanecem em temas sensíveis. Fontes ligadas ao governo dos Estados Unidos afirmam que o programa nuclear iraniano será desmantelado. Já a imprensa estatal iraniana sustenta que Teerã não abrirá mão do direito de enriquecer urânio nem do controle sobre o estreito.
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, teve papel central nos anúncios realizados ao longo do fim de semana. Segundo ele, os dois países concordaram com os termos gerais para encerrar as operações militares.
Sharif informou que a cerimônia oficial de assinatura está prevista para ocorrer em 19 de junho, na Suíça. Paralelamente, negociações técnicas devem continuar nas próximas semanas para detalhar os mecanismos de implementação do acordo.
Autoridades iranianas também indicaram que o cessar-fogo deve entrar em vigor ainda neste domingo, enquanto representantes dos dois lados trabalham na redação final dos documentos.
O avanço diplomático ocorre poucos dias depois de uma nova sequência de confrontos entre as duas potências.
A tensão aumentou após a queda de um helicóptero militar norte-americano próximo ao Golfo Pérsico. Os Estados Unidos atribuíram responsabilidade ao Irã e realizaram ataques contra sistemas defensivos e radares na região. Teerã respondeu com ofensivas contra instalações militares ligadas aos EUA.
A troca de ataques levou ao fechamento do Estreito de Ormuz e colocou em risco as negociações que já estavam em andamento. Apesar disso, as conversas continuaram por canais diplomáticos e ganharam força após declarações públicas de Trump e de integrantes do governo iraniano indicando que um entendimento estava próximo, revelou o G1.
Nos próximos dias, representantes dos dois países devem discutir detalhes sobre sanções econômicas, mecanismos de fiscalização dos compromissos assumidos e as condições para normalização gradual do fluxo marítimo na região do Golfo Pérsico, enquanto a assinatura formal do acordo segue prevista para a próxima semana.