A diferença entre o preço sugerido e o valor efetivamente cobrado nas concessionárias colocou a Honda Pop 110i ES no centro de uma distorção recorrente no mercado de motos. Um levantamento nacional identificou que o modelo pode ser vendido entre R$ 12.690 e R$ 16.750, mesmo com preço público sugerido de R$ 10.580, o que representa um ágio de até 58,3%.
A verificação foi feita a partir do contato com concessionárias autorizadas da marca em todas as capitais do país. Das 27 unidades consultadas, 17 responderam até a publicação, confirmando a variação expressiva de valores dependendo da região e da loja.
O preço público sugerido, prática adotada por montadoras, é frequentemente criticado por consumidores por não refletir a realidade nas concessionárias, especialmente em modelos de alta demanda como a Pop, revelou o AutoPapo.
A Pop ocupa um papel estratégico na mobilidade brasileira. Simples, econômica e resistente, a motocicleta é amplamente utilizada tanto para transporte individual quanto como ferramenta de trabalho.
Com mais de 65% de participação no mercado nacional de motos, a Honda mantém na Pop sua principal porta de entrada, o que torna o descolamento de preços ainda mais relevante para o consumidor.
A diferença entre o valor oficial e o cobrado na prática expõe um cenário em que o acesso ao modelo fica comprometido, mesmo sendo a opção mais básica da marca.
A linha 2027 marca a sexta geração da Pop no Brasil e chega com alterações pontuais, mas direcionadas ao uso urbano e ao público iniciante.
A mudança busca tornar a pilotagem mais intuitiva, especialmente para quem está começando.
Outro avanço está na adoção de rodas de liga leve com pneus sem câmara, solução que melhora a segurança e reduz o impacto de furos durante o uso.
Os tambores de freio foram ampliados de 110 mm para 130 mm, aumentando a eficiência nas frenagens. O pneu dianteiro passou a medir 70/90-17, enquanto o traseiro permanece em 80/100-14.
A estrutura segue baseada no chassi monobloco de aço, com suspensão dianteira telescópica e traseira com amortecedor duplo, mantendo o foco em resistência e facilidade de condução.
O design recebeu novas carenagens, mas preserva a proposta funcional e resistente. A ergonomia continua sendo destaque, com assento amplo, altura de 747 mm e soluções práticas como alças laterais e espaço sob o banco.
Com apenas 88 kg de peso seco, a Pop segue como a moto mais leve da linha Honda no Brasil, característica que favorece manobras no trânsito e uso em entregas.
A possibilidade de instalação de porta USB-C reforça o foco no público profissional, especialmente entregadores que dependem do smartphone no dia a dia.
O conjunto mecânico permanece inalterado. O motor monocilíndrico de 109,5 cm³ entrega 8,43 cv de potência a 7.250 rpm e torque de 0,945 kgfm a 5.000 rpm.
Equipado com injeção eletrônica PGM-FI, câmbio semiautomático de quatro marchas e partida elétrica, o modelo segue priorizando eficiência e baixo consumo, pilares centrais da Pop.
A Honda oferece três anos de garantia sem limite de quilometragem e óleo gratuito em sete revisões, reforçando o baixo custo de manutenção.
Desde 2007, quando começou a ser vendida no Brasil, a Pop já ultrapassou 2,2 milhões de unidades comercializadas.
Em estados como a Bahia, o modelo aparece entre os mais vendidos em 2026, com 11.496 unidades emplacadas entre janeiro e abril, ficando próximo da liderança ocupada pela CG, com 11.712.
Esse volume elevado de vendas, combinado à forte demanda nacional, ajuda a explicar a pressão sobre os preços nas concessionárias, mesmo sem reajustes oficiais recentes.
A chegada da linha 2027 às lojas, prevista para maio, ocorre nesse cenário de alta procura e variação expressiva de valores, enquanto consumidores seguem encontrando dificuldades para adquirir o modelo pelo preço sugerido.