Os dados mostram que, após um mês, os pacientes tratados com semaglutida apresentaram redução de cerca de 50% nos dias de consumo intenso de álcool. Ao longo de seis meses, o número médio caiu de 17 dias mensais para cinco, enquanto o grupo controle reduziu para nove dias.
Além do impacto no comportamento, o estudo identificou uma diferença significativa na perda de peso. Em 26 semanas, os participantes que utilizaram o medicamento perderam, em média, 11,2 kg, enquanto aqueles que receberam placebo tiveram redução de 2,2 kg.
A análise do consumo mostrou mudança relevante na quantidade ingerida. No início, os participantes consumiam cerca de 2,2 kg de álcool em 30 dias. Após seis meses, esse número caiu para 650 g entre os usuários do medicamento, contra 1175 g no grupo controle.
| Indicador | Semaglutida | Placebo |
|---|---|---|
| Dias de consumo intenso | 5 dias/mês | 9 dias/mês |
| Consumo mensal | 650 g | 1175 g |
| Perda de peso | -11,2 kg | -2,2 kg |
Os resultados reforçam a hipótese de que o medicamento atua não apenas no metabolismo, mas também em mecanismos ligados ao comportamento e à recompensa.
Especialistas apontam que os agonistas de GLP-1 podem influenciar o chamado circuito de recompensa do cérebro, responsável por impulsos ligados à alimentação e ao consumo de álcool.
Esse efeito pode explicar por que pacientes relatam menor vontade de beber ao longo do tratamento, mesmo quando o objetivo inicial era apenas o emagrecimento.
A associação entre obesidade e consumo excessivo de álcool é considerada um dos cenários mais críticos para o fígado. Ambos os fatores atuam sobre processos inflamatórios e podem acelerar a progressão de doenças hepáticas.
A sobrecarga causada pela combinação de gordura hepática e metabolização do álcool aumenta o risco de inflamação, fibrose e cirrose.
Além disso, o álcool interfere diretamente no emagrecimento, pois o organismo prioriza sua metabolização, reduzindo a queima de gordura e favorecendo o acúmulo calórico.
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que o uso isolado do medicamento não é suficiente. No estudo, todos os participantes passaram por terapia cognitivo-comportamental, considerada essencial para lidar com fatores emocionais associados ao consumo.
A interação entre fatores psicológicos e fisiológicos é apontada como determinante para o sucesso do tratamento.
Segundo o Correiobraziliense, os autores reconhecem que o número de participantes é limitado, mas destacam que a magnitude dos efeitos observados foi suficiente para indicar uma possível nova aplicação clínica dos agonistas de GLP-1.
Enquanto novos estudos são conduzidos para confirmar esses resultados em larga escala, o uso dessas medicações continua sendo avaliado sob diferentes aspectos, incluindo impacto no comportamento, metabolismo e saúde pública.