A revelação de mensagens envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, provocou nova crise política em Brasília e desencadeou pedidos de investigação, abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito e até prisão preventiva do parlamentar.
A denúncia, divulgada pelo site The Intercept, aponta que Flávio Bolsonaro teria articulado um pedido de R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar o filme biográfico “Dark Horse”, produção relacionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o material divulgado, parte do valor solicitado teria sido efetivamente transferida por empresas ligadas ao grupo financeiro de Vorcaro. As informações passaram a circular intensamente entre parlamentares da oposição e rapidamente ampliaram a pressão política sobre o senador, que é apontado como pré-candidato à Presidência da República em 2026.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que pretende solicitar à Polícia Federal a prisão preventiva de Flávio Bolsonaro. Nas redes sociais, o parlamentar disse que há indícios de financiamento político irregular, proximidade financeira e articulação envolvendo o Banco Master.
“Isso precisa ser investigado a fundo. Flávio Bolsonaro preso já”, escreveu Lindbergh.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) também defendeu abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a relação entre integrantes da direita e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo as denúncias citadas pelos parlamentares, aproximadamente R$ 61 milhões do total negociado teriam sido repassados por empresas associadas ao Banco Master para estruturas financeiras relacionadas a aliados da família Bolsonaro.
Trechos de mensagens atribuídas ao senador e divulgadas pela reportagem mostram uma relação próxima entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Em uma das conversas mencionadas, enviada um dia antes da prisão do banqueiro, Flávio escreveu:
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz.”
No dia seguinte à mensagem, Vorcaro foi preso sob acusação de operar um esquema de fraudes que teria provocado prejuízo bilionário ao Fundo Garantidor de Crédito, o FGC.
Após a prisão, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.
Parte das críticas da oposição se concentra em movimentações financeiras que teriam ligação com o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos.
Segundo a denúncia, recursos transferidos por empresas parceiras de Vorcaro teriam sido direcionados ao fundo controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.
A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) afirmou que o episódio amplia suspeitas sobre relações financeiras envolvendo integrantes da família Bolsonaro.
Já a deputada Natália Bonavides (PT-RN) associou o caso às recentes denúncias envolvendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), citado em reportagens sobre supostos pagamentos mensais ligados ao empresário Daniel Vorcaro.
O episódio ocorre em um momento de articulação política para as eleições presidenciais de 2026. Flávio Bolsonaro vinha sendo tratado por aliados como possível nome da direita para disputar a Presidência caso Jair Bolsonaro permaneça inelegível.
O ex-deputado Marcelo Freixo (Psol-RJ) afirmou que a denúncia compromete diretamente o cenário eleitoral do senador, revelou Brasildefato.
“Não existe candidatura à Presidência depois disso”, escreveu Freixo.
Até a publicação desta matéria, Flávio Bolsonaro e integrantes próximos ao senador ainda não haviam se manifestado publicamente sobre as acusações divulgadas pela reportagem envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro e os supostos repasses milionários ligados à produção do filme sobre Jair Bolsonaro.