A Ferrari apresentou oficialmente o Luce, primeiro carro totalmente elétrico da história da fabricante italiana, em um movimento que marca uma mudança profunda na estratégia da marca mais valiosa do setor automotivo europeu. O modelo chega ao mercado por US$ 640 mil, cerca de R$ 3,2 milhões, e rompe com vários elementos que ajudaram a construir a identidade da empresa nas últimas décadas.
O lançamento rapidamente virou assunto nas redes sociais e em fóruns especializados. Parte do público viu o modelo como uma ruptura necessária para manter a Ferrari relevante diante da transformação da indústria automotiva. Outra parte reagiu de forma agressiva ao novo conceito visual e à ausência do tradicional motor a combustão, elemento historicamente associado à experiência emocional dos carros da marca.
O Luce foge do desenho tradicional da Ferrari em vários pontos. O carro é o primeiro modelo de cinco lugares produzido pela empresa e também nasceu de uma colaboração incomum com a LoveFrom, agência criada por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, revelou o Yahoo.
A mudança estética ficou evidente desde as primeiras imagens divulgadas. O carro adota linhas menos agressivas do que os superesportivos tradicionais da Ferrari e aposta em uma linguagem visual mais futurista, próxima da tendência adotada por fabricantes de tecnologia e mobilidade elétrica.
“A Ferrari acabou de matar sua marca”, escreveu um usuário na rede X após a apresentação do modelo.
Outros comentários compararam o movimento da Ferrari à recente reformulação visual da Jaguar, que também recebeu críticas ao abandonar elementos clássicos da marca britânica.
Apesar da resistência de parte do público, houve também reações positivas. Usuários elogiaram o desenho do Luce e classificaram o carro como uma nova referência para o segmento de luxo elétrico, revelou o G1.
Mesmo com a mudança radical de conceito, a Ferrari tentou preservar o foco em desempenho extremo. O Luce utiliza um motor elétrico em cada roda e entrega 1.050 cv de potência.
Segundo a fabricante, o carro acelera de 0 a 96 km/h em aproximadamente 2,5 segundos e alcança velocidade máxima de até 310 km/h.
A Ferrari afirmou ainda que todos os componentes principais do veículo foram produzidos internamente. A estratégia busca manter o controle técnico do modelo e preservar o valor de revenda do carro ao longo dos anos, um dos pilares comerciais da fabricante italiana.
O lançamento do Luce acontece em um momento delicado para os veículos elétricos de alto padrão. Nos últimos anos, várias montadoras reduziram seus planos de eletrificação diante da queda de demanda em mercados importantes e do avanço das fabricantes chinesas.
A Lamborghini abandonou projetos de carros totalmente elétricos e passou a priorizar modelos híbridos. A Porsche também revisou suas metas para veículos elétricos após enfrentar dificuldades em mercados como China e Estados Unidos.
Além da desaceleração nas vendas, fabricantes tradicionais passaram a lidar com mudanças regulatórias e redução de incentivos em alguns países. Nos EUA, medidas adotadas pelo presidente Donald Trump diminuíram estímulos para compradores de carros elétricos.
O diretor-executivo da Ferrari, Benedetto Vigna, afirmou que o Luce levou cinco anos para ser desenvolvido. Já o diretor de design da marca, Flavio Manzoni, reconheceu que o projeto é “polarizador”, mas avaliou que a reação negativa faz parte de qualquer mudança estrutural dentro do setor automotivo.
A Ferrari também confirmou que seguirá produzindo modelos a gasolina e híbridos ao lado da nova linha elétrica. A estratégia tenta evitar uma ruptura completa com o perfil tradicional dos clientes da marca.
Enquanto o Luce provoca debates sobre o futuro dos supercarros, a Ferrari tenta equilibrar tradição, exclusividade e pressão tecnológica em um mercado que vive mudanças aceleradas. As primeiras unidades do modelo elétrico devem começar a chegar aos clientes após o início oficial da produção comercial anunciado pela empresa italiana.