A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou, em 22 de abril de 2026, a admissibilidade da proposta de emenda à Constituição que trata do fim da escala 6×1. A decisão permite o avanço da tramitação e abre caminho para a criação de uma comissão especial que analisará o conteúdo da medida.
Nesta etapa, os parlamentares avaliaram apenas a constitucionalidade da proposta, sem discutir o mérito. O parecer favorável foi apresentado pelo relator, deputado Paulo Azi, que defendeu a continuidade do debate sobre a reorganização da jornada de trabalho no país.
As discussões reúnem diferentes projetos que tratam da redução do tempo de trabalho semanal e da reorganização das escalas. Entre as propostas em análise, está a redução gradual da jornada de 44 para 36 horas ao longo de dez anos.
Outra alternativa prevê a adoção de uma escala 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso. No entanto, as negociações indicam a possibilidade de um modelo intermediário, com jornada de 40 horas semanais e escala 5×2.
O debate também envolve a definição de regras de transição para adaptação das empresas e a discussão de eventuais compensações ao setor produtivo.
O avanço da proposta ocorre em meio a uma disputa entre o Congresso e o governo federal sobre a condução das mudanças. O Executivo encaminhou um projeto de lei com urgência constitucional, prevendo a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.
Caso não seja analisado em até 45 dias, o projeto pode travar a pauta da Câmara. A movimentação foi interpretada como uma tentativa de acelerar o debate, mas gerou reação entre parlamentares, que defendem protagonismo do Legislativo na condução do tema.
A discussão sobre a jornada de trabalho envolve não apenas aspectos legais, mas também impactos econômicos e sociais que ainda serão analisados na próxima fase.
Durante as discussões, deputados favoráveis argumentaram que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e ampliar a geração de empregos, especialmente em setores com alta demanda por mão de obra.
Por outro lado, parlamentares contrários levantaram preocupações sobre o aumento de custos para empresas e possíveis reflexos no preço final de produtos e serviços.
Segundo o Oglobo, o relator destacou, em seu parecer, que a redução da jornada pode contribuir para o bem-estar dos trabalhadores e beneficiar grupos mais vulneráveis, como jovens, mulheres e pessoas de baixa renda.
A próxima etapa da tramitação deve aprofundar a análise dos impactos econômicos e definir os detalhes do modelo a ser adotado, com expectativa de instalação da comissão especial ainda em maio de 2026.