Erika Hilton acionou o Ministério Público do Paraná na segunda-feira, 16 de março de 2026, após vir a público a denúncia de que um militar investigado por estupro de vulnerável continuou atuando por cerca de dois anos dentro de uma escola estadual cívico-militar em Cornélio Procópio (PR), mesmo depois de relatos de abuso envolvendo estudantes adolescentes.
A representação enviada ao MP sustenta que o caso não envolve apenas a investigação criminal do militar, mas também a atuação administrativa do governo comandado por Ratinho Junior. Segundo a parlamentar, a manutenção do profissional dentro da unidade escolar mesmo após as denúncias levantou dúvidas sobre o protocolo de proteção a menores dentro do modelo de gestão cívico-militar adotado em escolas estaduais do Paraná.
As denúncias relatadas indicam que ao menos 9 meninas, com idades entre 11 e 13 anos, teriam sido vítimas de abusos atribuídos ao militar. O caso teria ocorrido dentro de uma escola estadual vinculada ao programa de ensino cívico-militar implantado pelo governo paranaense nos últimos anos, sistema que mistura gestão pedagógica civil com participação de militares na disciplina e na organização administrativa das unidades.
De acordo com o relato apresentado pela deputada, a providência adotada inicialmente foi a transferência do militar da função de inspetor para um setor administrativo da mesma escola.
Na prática, segundo a crítica apresentada na representação, isso manteve o investigado dentro do ambiente escolar, ainda com circulação na unidade e possível acesso a registros administrativos ligados aos alunos.
“Um acusado de estupro de vulnerável permaneceu no espaço escolar e potencialmente teve acesso a dados sensíveis de estudantes”, afirmou a parlamentar ao comentar o caso publicamente.
A preocupação central apontada na representação está ligada à exposição das vítimas e à possibilidade de retraumatização de estudantes que continuaram frequentando a mesma escola onde o investigado permanecia trabalhando.
| Informação | Detalhes |
|---|---|
| Município | Cornélio Procópio (PR) |
| Tipo de escola | Escola estadual cívico-militar |
| Alunas envolvidas | 9 estudantes |
| Faixa etária | 11 a 13 anos |
| Tempo de permanência após denúncias | Cerca de 2 anos |
Além da investigação criminal, o episódio reabriu uma discussão política mais ampla sobre a estrutura de funcionamento das escolas cívico-militares.
Nesse modelo, militares atuam principalmente na área disciplinar, organização interna e mediação de conflitos, enquanto professores e gestores civis seguem responsáveis pela parte pedagógica. O formato foi ampliado em vários estados brasileiros nos últimos anos como alternativa para melhorar indicadores de disciplina e rendimento escolar.
No entanto, críticos do sistema afirmam que a estrutura pode gerar dificuldades de fiscalização e delimitação clara de responsabilidades entre autoridades civis e militares dentro do ambiente escolar.
A expectativa é que o Ministério Público analise a representação e decida se abre um procedimento formal para investigar tanto os fatos ligados ao crime quanto a condução institucional do caso.
O episódio também surge em meio a um momento de tensão política envolvendo a deputada e o comunicador Ratinho, pai do governador. Recentemente, declarações do apresentador em seu programa de televisão motivaram uma ação judicial movida por entidades ligadas à parlamentar.
No comentário mais recente sobre o caso da escola, Hilton afirmou que episódios envolvendo violência contra estudantes precisam ser tratados com prioridade absoluta por autoridades públicas, independentemente de disputas políticas.
O governo do Paraná ainda não divulgou posicionamento detalhado sobre a representação enviada ao Ministério Público até a atualização mais recente do caso.