O estado de São Paulo registrou em 2024 a menor taxa de homicídios do Brasil, segundo dados do Atlas da Violência 2026 divulgados nesta terça-feira pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento aponta índice de 6,6 mortes por 100 mil habitantes, colocando o estado na primeira posição entre as 27 unidades da federação.
O resultado mantém São Paulo na liderança nacional do indicador pelo décimo ano consecutivo. Desde 2015, a taxa de homicídios caiu 53,2% no território paulista, uma das maiores reduções registradas no país no período analisado pelo estudo.
A distância para a média brasileira continua ampla. Enquanto São Paulo aparece com 6,6 homicídios por 100 mil habitantes, o índice nacional ficou em 20,1. Santa Catarina aparece na sequência, com taxa de 8,1, seguida pelo Distrito Federal, com 10,3.
Além da redução nos homicídios, os dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo indicam queda em outros indicadores criminais ao longo de 2025. Segundo o governo estadual, foram registrados 2.438 homicídios dolosos no ano passado, menor número da série histórica iniciada em 2001.
Os roubos também atingiram o menor patamar desde o início da série. Foram 161.310 ocorrências em 2025, redução de 16% em comparação com 2024. Os casos de latrocínio caíram 22%, encerrando o período com 129 registros.
Os roubos de carga somaram 3.470 ocorrências, queda de 26%, enquanto os roubos de veículos ficaram abaixo de 30 mil casos pela primeira vez desde o início do monitoramento estatístico estadual.
Quase metade dos municípios paulistas não registrou nenhum homicídio doloso durante todo o ano de 2025, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública.
O Atlas da Violência mostra um cenário desigual entre as regiões brasileiras. Enquanto São Paulo aparece na ponta inferior do ranking, estados do Norte e Nordeste seguem concentrando os maiores índices de mortes violentas.
| Estado | Taxa por 100 mil habitantes |
|---|---|
| São Paulo | 6,6 |
| Santa Catarina | 8,1 |
| Distrito Federal | 10,3 |
| Bahia | 40,9 |
| Amapá | 45,7 |
Entre os estados com maiores taxas aparecem Amapá, Bahia, Pernambuco e Alagoas. O levantamento considera dados de mortalidade e registros oficiais de violência letal em todo o território nacional.
Parte da estratégia usada pelo governo paulista envolve programas de integração entre forças de segurança e uso de análise criminal em tempo real. Um dos projetos destacados pela gestão estadual é o SPVida, plataforma voltada ao monitoramento de crimes contra a vida.
O sistema reúne informações sobre contexto, motivação, localização e dinâmica das ocorrências para orientar ações preventivas e planejamento operacional das polícias Civil e Militar.
Segundo o governo estadual, delegacias e batalhões utilizam aplicativos e ferramentas digitais de monitoramento para identificar padrões criminais e direcionar operações em regiões consideradas mais sensíveis.
A divulgação dos novos dados do Atlas ocorre no momento em que estados brasileiros ampliam investimentos em inteligência policial, monitoramento e políticas públicas de prevenção à violência, tema que continua no centro do debate nacional sobre segurança pública.