A manifestação de estudantes da USP realizada nesta segunda-feira no Centro de São Paulo terminou em confronto com a Polícia Militar após o uso de bombas de gás para dispersar os participantes do ato. O protesto ocorreu em frente ao prédio da Secretaria Estadual da Educação, na região da Praça da República.
Os estudantes estão em greve ao lado de alunos da Unesp e da Unicamp e cobram mudanças nas políticas de permanência estudantil, além de melhorias estruturais nos campi das universidades estaduais paulistas.
Segundo relatos dos manifestantes, o ato começou de forma organizada nas proximidades da reitoria da Unesp e seguiu com a formação de um cordão humano em ruas do entorno da Praça da República. Durante a mobilização, estudantes entoavam palavras de ordem contra a atuação policial.
O novo protesto acontece um dia depois da operação da Polícia Militar que retirou estudantes da ocupação da reitoria da USP, no campus do Butantã, na Zona Oeste da capital.
A ação ocorreu durante a madrugada e gerou acusações de violência policial por parte do Diretório Central dos Estudantes da universidade. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram agentes utilizando cassetetes e bombas de efeito moral durante a retirada dos alunos.
Segundo representantes estudantis, diversos alunos ficaram feridos e quatro foram levados ao 7º Distrito Policial após a operação.
Os estudantes afirmam que a mobilização ganhou força após impasses nas negociações sobre bolsas, moradia universitária e manutenção dos prédios da USP.
A Polícia Militar afirmou que cerca de 150 pessoas foram retiradas da reitoria e declarou que a operação foi acompanhada por câmeras corporais dos agentes. A corporação informou ainda que denúncias de excesso serão apuradas.
Durante a vistoria realizada após a desocupação, a PM disse ter encontrado danos ao patrimônio público e apreendido objetos como facas, bastões, canivetes e estiletes.
Entre as reivindicações apresentadas pelos alunos estão aumento das bolsas estudantis, reforma das moradias universitárias e melhorias na infraestrutura dos campi.
No Conjunto Residencial da USP, estudantes relataram problemas como infiltrações, vazamentos de gás, luminárias queimadas, mofo e cozinhas sem condições adequadas de funcionamento.
O movimento também ganhou repercussão após relatos envolvendo a estrutura da Unesp. Estudantes do Instituto de Artes, na Barra Funda, pedem ampliação dos serviços básicos durante o período noturno.
A mobilização ganhou força depois da morte de uma professora da Unesp que sofreu um mal súbito durante uma atividade noturna dentro da universidade. Estudantes afirmam que não havia equipe médica disponível no momento em que ela passou mal.
Em nota oficial, a USP afirmou que mantém disposição para negociar com representantes estudantis e declarou que lamenta os episódios de violência registrados durante a desocupação da reitoria.
A universidade informou que já teria atendido parte das reivindicações apresentadas pelos alunos e criado grupos de trabalho para discutir outros pontos considerados viáveis pela administração.
| Principais reivindicações | Pedidos dos estudantes |
|---|---|
| Moradia estudantil | Reformas e melhorias estruturais |
| Permanência estudantil | Aumento das bolsas |
| Infraestrutura | Manutenção dos campi |
| Serviços noturnos | Biblioteca e atendimento médico |
Segundo o G1, a Secretaria da Segurança Pública ainda não havia divulgado posicionamento oficial sobre o uso de bombas de gás durante o protesto realizado no Centro de São Paulo até a última atualização do caso.